Opinião: Obras sempre

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Acabada uma qualquer construção, todos queremos descansar usufruindo do trabalho feito, mas a natureza encarrega-se de mostrar que nada está adquirido pois ela própria nunca deixa de mudar o real que quisemos e queremos dominar.

Por isso em 1815 no meio de um texto sobre: “As Obras do Mondego e Campo (dizia-se que) não podem abandonar-se nunca: muitas vezes os invernos deixarão que fazer nos verões por alguma avaria que façam, ou utilidade de trabalhos, que mostrem. As Obras hidráulicas dependem de princípios gerais; é porém indispensável estudar também as circunstâncias do local.” .

De facto, mesmo quando pensamos que sabemos algo, ao revisitarmos os conceitos e ideias decorrentes que pensávamos bem apreendidas, eis que encontramos novidades pois lhes juntamos factos reais que as confirmam, refutam ou limitam no seu poder explicativo. Podemos até ser confrontados com evidências, que tínhamos afastado por nos parecerem não serem relevantes, mas que agora explicam alguns factos que uma observação mostrou serem determinantes e explicativas de um qualquer desvio em relação ao previsto.

Vemo-lo quando observamos atrasos na marcha dos comboios ou os descarrilamentos destes. É o que muitas vezes só obriga em Portugal as empresas ferroviárias a pedir compreensão aos lesados e, se alguém morrer, a pedir alguém que lhe faça o funeral. Também quando há inundações que os fazem parar dizem que tudo deriva de uma força incontrolável da natureza.

Parece até que ninguém se põe a questionar a má qualidade dos projetos de engenharia e tudo se parece reduzir a um improvável desastre que, apesar de tudo, aconteceu. Dizem os técnicos. E eles sabem bem que não foi assim. Apenas nos querem anestesiar nas nossas preocupações correntes com o objetivo de nunca se encontrar um qualquer culpado. Mas, eles mais do que as bruxas existem mesmo. E muitas vezes são apenas gente que não estudou a natureza tal como ela nos exige, impondo que a respeitemos e façamos tudo para não a enfurecer.

Infelizmente, falta em muitos projetos considerar seriamente as leis da física e da química e integrá-las num modelo matematizado. É onde todas as forças da natureza devem ficar compatibilizadas entre si, prevenindo assim alguns dos desastres possíveis. Ficam deste modo só de fora os desastres que ainda não podem ser previstos por não ter ainda havido a sua ocorrência. E só assim o nosso mundo pode melhorar.

Infelizmente, o mundo dos negócios procura minimizar custos, reduzindo até os investimentos necessários, que podiam trazer mais segurança e maior qualidade aos serviços prestados aos clientes sem agredir o ambiente. Mas nada disso acontece quando o poder político nos seus diversos patamares obedece a um poder financeiro que nada disto quer valorizar.

E isso é a origem da tragédia do nosso tempo.

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