Opinião: Higiene, nutrição e saúde

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Se tivermos em consideração apenas os últimos 40 anos, facilmente nos apercebemos do quanto Portugal evoluiu ao nível das condições de saúde e salubridade públicas: Serviço Nacional de Saúde (que se encontra em estado muito grave), infraestruturas básicas de saneamento, instalações sanitárias e casas de banho, água canalizada e potável, distribuição de energia elétrica, campanhas de sensibilização para hábitos básicos de higiene (mãos, oral, corpo) e de promoção da saúde e de uma alimentação saudável.

No que toca à instituição do banho, regular e frequente como uma necessidade básica da boa saúde (individual e coletiva), ficou durante mais de 1000 anos apenas como uma memória dos banhos públicos Romanos e das abluções diárias dos Muçulmanos. Para além de outros fatores, a Igreja Católica e a Ciência desaconselharam fortemente o banho. A primeira, por ser uma fonte de prazer carnal e, a segunda, por proporcionar a abertura dos poros o que iria proporcionar a que todas as maleitas se infiltrassem nos organismos. A partir do séc. XIX, o hábito do banho foi sendo gradualmente instituído como aconselhável e, atualmente, fundamental para a boa saúde e qualidade de vida.

É notória a evolução no que toca a hábitos de higiene, nutrição e saúde do corpo. Os indicadores assim o confirmam – os dos últimos 40 anos e os atuais. Procuram-se cada vez mais hábitos de vida saudáveis: dormir bem, praticar exercício físico, comprar produtos biológicos, optar por uma alimentação saudável, reduzir açúcares e gorduras… As campanhas de sensibilização, o acesso à informação, a democratização e a universalidade de serviços básicos de salubridade e a consequente melhoria das condições de vida contribuíram para este novo paradigma.

O processo ainda está em curso. Embora de forma muito tímida, o mesmo começa a acontecer com a saúde da mente (e porque não dizer já “do espírito”). O aumento da procura de atividades como a meditação, o yoga, as artes, o desporto – são uma forma de conquistar bem-estar na busca de uma realização individual mais plena e verdadeira, que para uma grande parte dos indivíduos se encontra ausente do seu quotidiano. A higiene e a nutrição mental e intelectual são, desde logo porque influenciam reações biológicas, também elas potenciadoras de boa saúde e de boa qualidade de vida, física e espiritual.

Ao nível da higiene, da nutrição e da saúde mentais estamos sujeitos a um conjunto vasto de agentes patogénicos: a comunicação social e o marketing são os mais violentos e agressivos. São os açúcares e as gorduras mentais. A opção só pode ser de cada indivíduo. Tal como para o corpo, assim também para a mente. Uma e outra estão intimamente relacionadas. Os estímulos patogénicos a que alguns indivíduos se sujeitam diariamente não promovem, de todo, nem a higiene, nem a nutrição adequada a uma mente limpa e sã. Dos programas de entretenimento aos noticiários populistas e sensacionalistas, passando pelas telenovelas e séries de televisão, aos sítios da internet, às “correntes” das plataformas e redes digitais sociais, passando pelas notícias falsas, é muito difícil manter uma certa higiene e nutrição mentais sem “gorduras e açucares”. Antes de mais, é importante tomar consciência do que estamos sujeitos. E depois, ter a coragem de optar.

 

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