Opinião: Da análise ao Mundial de futebol a uma sugestão à FIAT

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Terminou mais um Mundial de futebol, desporto/espetáculo cuja intensidade, movimento e imprevisibilidade de resultados atrai a atenção de todo o mundo, que, com os avanços tecnológicos atuais, segue em tempo real o que acontece a milhares de quilómetros de distância, com toda a comodidade e com cada vez maior qualidade de imagem. Hoje, já podemos escolher os jogadores a visionar nas nossas televisões, e contar com o vídeo – árbitro, que terá de evoluir para haver decisões mais acertadas em momentos fulcrais, e que podem decidir jogos de futebol.

Neste mundial, a campanha da seleção nacional terminou mais cedo do que muitos previam, não por sermos os atuais campeões europeus, feito notável, mas que não dá vantagem em qualquer competição, mas por Portugal ter o melhor jogador do planeta, e por o nosso plantel profissional ser daqueles a quem “se tira o chapéu”. Mas desta vez nem sequer atingimos o glorioso terceiro lugar de 1966 em que Eusébio da Silva Ferreira – que tive o prazer de conhecer como pessoa, muito tempo depois de ter deixado de ser o célebre “Pantera Negra” – virou o resultado contra a Coreia do Norte, de 0-3 para uns fantásticos 5-3, e de a nossa seleção só ter baqueado perante a Inglaterra, que celebrou então em casa, o único título mundial de futebol conquistado até hoje.

A Inglaterra ficou agora em quarto lugar, ao perder contra uma Bélgica fenomenal, e na final a França venceu a Croácia, inesperado mas merecido finalista, com quatro milhões de habitantes, enquanto a Alemanha, com 4,5 milhões de futebolistas, nem atingiu a parte final do Mundial. Esta é a magia e o encanto do futebol, jogo que muito aprecio, mas do qual quase nada entendo.

Mas sei entender o valor de um grande jogador, daqueles que marcam a diferença, e que aliam ao estofo de verdadeiros campeões, a singeleza de ampararem os seus adversários de momento, por terem aprendido na vida que o valor dos grandes homens se manifesta nos mais pequenos gestos e atitudes. Obviamente que falo do Cristiano Ronaldo, nascido na Madeira há 33 anos atrás. Hoje “CR7” é marca mundial que representa e projeta Portugal, como nunca ninguém fez!

Cristiano foi transferido para a Juventus por 100 milhões de euros, e auferirá um salário anual de 30 milhões de euros. Sendo a família Agnelli, lendária dona da FIAT, também acionista da “Juve”, trabalhadores e sindicatos dessa grande empresa automóvel, com marcas de prestígio como Ferrari e Maserati, insurgiram-se contra o contrato milionário da transferência do melhor do mundo, do Real, de Madrid, para a “Juve”, de Turim. Mas não têm razão para tanto descontentamento, apesar do cerco do desemprego, e de os salários serem quase de subsistência.

É que, numa só semana, a “Juve” vendeu, a um preço incrível, tantas camisolas do “novo” CR7 que a verba arrecadada atingiu metade do valor dessa transferência. Sabe-se lá o que virá ainda a vender em camisolas “Made in China”, canecas “Made in Thailand”, cuecas, perdão, calções “Made in India”, e chuteiras “Made in Indonesia”… Mas nada se compara ao que a FIAT poderá lucrar com um novo modelo automóvel, acessível ao povo, e que o CR7 utilize no seu dia-a-dia.

Cristiano Ronaldo tem milhões de fãs em todo o mundo, dos países mais desenvolvidos aos que vivem na maior pobreza, mas são os países em crescimento mais acelerado que serão mais interessantes para a Fábrica Italiana de Automóveis de Turim expandir negócios. E se esse novo automóvel for de cariz desportivo – e elétrico -, fará lembrar a carreira eletrizante do CR7, e os lucros da FIAT poderão voltar a ser os de antigamente, garantindo aos seus trabalhadores, por mais uns anos, os empregos que estão em risco pela frenética globalização da economia, antes de “os fiates” passarem a ser produzidos, “quiçá na Coreia” (que até poderá ser a do Norte…)!

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