Opinião – Se perdermos, que se f***!

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Cristiano,

Escrevo-te poucas horas antes do 2.º jogo de Portugal.

Porque nestes dias “Je suis João Moutinho”. Porque sei que, nos momentos difíceis que aí virão, tu nos farás sair do banco e nos farás ganhar.

Quero hoje anunciar-te o meu amor, um amor absoluto, perpetuado no 89.º minuto do (até agora) melhor jogo deste Mundial. Um amor especial este que te declaro, daqueles que não se medem por qualquer pulsão sexual, que não se bastam com um inexplicável deslumbramento. Porque me arrebatas, tu, o miúdo com ar rufia que vi crescer e fazer-se Grande.

Porque SIM! Porque me apaixono por quem realiza os seus sonhos e, ainda mais, por quem faz seus os sonhos dos outros. E tu, Cristiano tens em ti todos os sonhos dos portugueses.

Porque SIM! Porque, de facto, me deixas sem palavras, impressionas, emocionas, revolucionas, tu.

Porque SIM! Porque me inspiras e me fazes acreditar que é possível!

Por isso, ganha lá este Mundial, volta para cá e grita: SIM! SIM, é possível!

Porque SIM! É possível ser campeão de futebol, ser o melhor do mundo, pôr todos a gritar ‘PORTUGAL’. Gosto muito de futebol. Porque cresci a ver futebol, primeiro com o meu irmão (cujo benfiquismo me fez sportinguista, só porque sim), depois porque me fiz mulher a acompanhar os meus filhos aos jogos (à Luz, vê lá tu a sina, novamente do lado ‘errado’ da circular. Cheguei mesmo a pintar umas listas ‘rojas’ na cara, confesso, só para lhes ver aquele brilho especial nos olhares!), e, porque enfim quero envelhecer a ouvir os gritos dos netos sentados no chão da sala, polvilhada pelos restos das pipocas e dos amendoins, que saltam das taças a cada comemoração ou protesto. Aprecio os pormenores técnicos (já percebeste que vivo rodeada de especialistas, verdadeiros treinadores de bancada), mas vibro, sim, com as emoções.

Porque SIM! Encho-me de esperança quando te vejo em pose ‘matador’, anseio pelo teu grito de vitória e, sim, encho-me de orgulho, rendida, sem palavras.

Porque SIM! Porque tu mostras que é possível!

E, por isso, Cristiano, tens a minha lealdade. Não me interessa se marcaste mais ou menos golos, se bateste mais ou menos recordes. Desculpa, mas isso poderá ler-se em qualquer antologia de futebol. Exclusiva de todos quantos te vêem hoje é a emoção de saber que um miúdo, franzino, com mais ou menos qualidades potenciais, cresceu, fez-se homem, ultrapassou tudo e todos, e cumpriu o sonho de todos os portugueses.

“Ó! Ó! Anda bater. Anda. Tu bates bem. Se perdermos, que se f***! Personalidade. Vai. Personalidade. Tu bates bem. Seja o que Deus quiser!”, lembras-te?

Por isso – repito – ganha lá este Mundial, volta para cá e grita: SIM! SIM, é possível!

Diz-nos que é possível tomar como nossos os sonhos de um País.

Às Nossas Mercês, Costas, Rios, Cristas, e afins, grita-lhes (em versão calão ou versão beata, tanto me faz) e manda-os liderar, chefiar, governar. Diz-lhes que nós, portugueses, precisamos que nos devolvam a fé. Que não percam tempo, pois estamos a perder. Vem cá e tira-os do banco. Diz-lhes que, se trabalharem, se prepararem os ‘dérbis’, se formarem uma equipa competente, se limparem o ‘banco’ dos boys e dos jotinhas do costume e o encherem com gente competente, podem ganhar. Porque a fé só joga em equipa e precisa do trabalho! Que se deixem de tretas e mostrem personalidade!

SIM! E, aí sim, a não ser que acreditem na sentença maldita do “onze contra onze e no fim ganha a Alemanha”, que se f***, seja o que Deus quiser!

PS: Cristiano, se te sobrar tempo, passa por Alvalade e manda o leão rugir. Aquilo mais parece um gatil mal-amanhado…

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