Opinião – Santos Cardoso

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Um amigo que parte deixa-nos mais sós, empobrecidos, menores na nossa pequenez de seres mortais., transitórios, efémeros. O Santos Cardoso morreu há dias. Era um camarada de lutas pela democracia, um velho lutador antifascista, um homem bom, um cidadão exemplar. Conhecemo-nos muitos anos. Vou recordar um episódio, velho de dezenas de anos, ocorrido, talvez em 1975, na Leirosa.

Estávamos, ele, o Lousã Henriques, e eu, a realizar uma sessão de esclarecimento na escola quando a luz se apagou, e a escuridão envolveu toda a sala. “Sabotagem!”, gritou alguém. “Ó pai, fui eu que dei um pontapé no fio e arranquei ficha da tomada”, ouvi dizer o meu filho mais velho, que tinha ido comigo. Será um episódio sem importância, mas numa época em que os nossos carros foram apedrejados e uma minora escrevia nas predes o seu desejo de nos matar, recordei o administrador hospitalar, o meu companheiro na direção do Centro Mecanográfico Hospitalar de Coimbra, de que era a “alma”, o presidente da Associação de Administrador Hospitalares, o meu camara autarca, ele vereador na Câmara de Coimbra, eu na da Figueira.

Morreu na Marinha das Ondas, foi cremado na Figueira da Foz. Deixa por cá a Paula, competente técnica superior da câmara, sabedora de coisas de pintura, escultura e outras tão importantes, e a sua memória, sempre viva.

 

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