Opinião: O silêncio da Ambição Social Democrata

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Há uma frase de Francisco Sá Carneiro que, por sinal, está publicada num meio de comunicação digital do PSD do Distrito de Coimbra que diz “se nos demitimos da intervenção activa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café”.

Este pensamento com 4 décadas daquele que é a referência de todos os social-democratas portugueses , impeliu-me a escrever este texto. Antes de tudo, quero esclarecer que a opinião exposta aqui, nada tem de pessoal ou pretende sequer menosprezar cada uma das pessoas que, hoje, fazem parte da Comissão Política Distrital do PSD de Coimbra.

É uma opinião exclusivamente política, também feita, penso, com a autoridade moral de quem sempre retirou responsabilidades e consequências políticas para nunca prejudicar alguém, o PSD ou mesmo o País. Os valores de Sá Carneiro e naturalmente a influência dos mais próximos, fizeram-me militante, mas nunca abdicando de liberdade total e de pensamento consciente. Escrito isto, fiquei incrédulo com o modo e a forma como decorreram as recentes eleições para a CPD do PSD de Coimbra.

Depois das eleições autárquicas desastrosas que, aliás, repetiram os resultados de 2013, o PSD vai a eleições e apresenta uma lista exatamente composta com as mesmas pessoas que estavam antes. Repito, sobretudo para os mais fervorosos, que prezo cada um, conheço bem a maioria e, admito até que porventura muitos deles aceitaram fazer parte, também, por falta de alternativas. Mas, na realidade, depois de nos tempos de Paulo Pereira Coelho e Jaime Soares, o PSD ter conquistado doze Câmaras Municipais do Distrito de Coimbra, num total de dezassete, em 2013, depois do equilíbrio das eleições de 2009, tudo se inverteu.

Hoje, o PSD, possui 5 Câmaras Municipais – Arganil, Cantanhede, Mira, Pampilhosa da Serra e Penela. Perante esta situação política, seria de crer que num Partido com a dimensão e massa crítica do PSD, houvesse, desde logo da parte de quem o lidera, a devida retirada de responsabilidades políticas, criando o espaço para a renovação, o espaço para um novo projeto e ambição que sempre é essencial para criar entusiasmo e estimular a participação de todos.

Por outro lado, ou melhor, no mínimo, seria de crer que se abrisse uma discussão interna transparente e genuína sobre o futuro, afastando quaisquer intenções de calculismo ou silenciamento sobre a inexistência política que vem sendo calcorreada nos últimos anos. Para quem como eu e muitas centenas de militantes que gostam do PSD e que lhe reconhecem capacidade e história para influenciar de forma positiva a vida regional, tudo o que se passou, nas recentes eleições , é um sinal de alarme sobre a letargia que se atingiu.

O modo “silencioso”, provavelmente circunscrito a uma dúzia de telefonemas para os mesmos de sempre, sem nenhuma sessão de esclarecimento em nenhum dos 17 concelhos, revela a inexistência de um projeto político, em termos de conteúdo. Revela também nenhum entusiasmo e, perdoem-me, algum desrespeito pelos militantes que mereciam ouvir alguma coisa sobre a ambição deste “novo” PSD para cada um dos concelhos, para o distrito e para a Região.

Por outro lado, o facto de cada um dos poucos Presidentes de Câmara estarem ausentes de lugares de relevo, indicia que a falta de entusiasmo ou desinteresse se estende até esses quadros que, na minha opinião, seriam essenciais para qualquer base de tentativa de recuperação do cenário autárquico. Conheço pessoalmente os Presidentes de Câmara, a sua competência e experiência política, pelo que daqui sugiro que participem mais, promovam mais a tal participação cívica de que Sá Carneiro falava.

Quanto mais fechado e silencioso estiver o PSD, mais limitada será a ambição. Depois de duas derrotas autárquicas consecutivas, é de esperar um projeto político com causas regionais, protagonistas locais renovados na sua força política de oposição, com o apoio político e peso da liderança distrital. É de esperar uma ambição clara de recuperar a hegemonia de outrora, talvez, com novas caras, com confiança e liderança entusiasmada.

Em contraponto, o que menos será de esperar, é a lógica dos equilíbrios e acordos para estes ou aqueles lugares. Um projeto político regional não pode ser um somatório de micro projetos individuais de sobrevivência política. Esta consciência e dúvidas, hoje, perpassam por uma grande maioria de pessoas que gostam do PSD e, mais importante do que isso, entendem que com um PSD forte, as nossas cidades e vilas serão melhores, mesmo que estejamos em lugares de oposição. Confesso a minha ignorância sobre tudo o que se passa.

Mas, sei também que há muitos jovens com valor, competentes nas suas profissões, há gente mais velha que , muito provavelmente, não é ouvida ou convidada a partilhar as suas experiências, com os que agora também ambicionam fazer algo pela vida coletiva. Talvez tudo isto, seja demasiado idealista, mas essa ainda é a única razão de se ser militante de um qualquer partido. Este escrito pretende ser tão somente um pequeno grito de alerta para todos os que gostam do PSD no distrito de Coimbra. Acredito nos jovens , na sua independência e forma livre de pensar, acredito nas muitas pessoas que já fizeram muito pela região, tornando-se referências e bons exemplos.

Sei que os cidadãos mais afastados da vida pública, onde aliás também me incluo, querem partidos fortes, com gente optimista, ambiciosa e com visão para fazer deste Centro de Portugal, um local que consiga fixar os mais jovens e permita aos mais velhos qualidade de vida. Nada se fará sem sacrifício. Nada se fará sem participação cívica. Espero que os recém eleitos , sobretudo os que têm mais responsabilidade política distrital, façam o que têm de fazer, honrando a história do PSD, sem se preocuparem com lugares , antes de agirem com a exigência que se impõe, em cada canto do distrito de Coimbra.

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