Opinião: 21º da União Europeia

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Portugal caiu para o 21º lugar da União Europeia em rendimento per capita. Isto é, o país continua a divergir da Europa e a altura em que esteve mais perto da médica comunitária foi em 1999. Desde então, e apesar dos muitos milhares de milhões de euros dos programas comunitários QREN e PT2020, o país divergiu da Europa, não cresceu ao ritmo que devia e esteve em pré-bancarrota, necessitando de um programa de assistência financeira.

Nos últimos anos tem crescido, mas mão o suficiente para retomar a convergência com a média europeia. Os resultados de crescimento de 2017 ( 2.7%, acima da média europeia) permitiram conter, nesse ano, a subida dos países de leste e registar um PIB per capita de 78% da média da Europa a 28 países. No entanto, o desacelerar do crescimento em 2018 permitirá que Portugal seja ultrapassado pela Lituânia, Eslováquia e Estónia, caindo para 21º lugar e aproximando-se vertiginosamente do fim da lista.

Importa uma reflexão sobre o rumo que tomamos, sobre as opções que foram feitas, percebendo se tudo isto faz sentido e não deveríamos tentar outra abordagem radicalmente diferente. Na necessidade urgente de reformas em setores essenciais como a justiça, a educação, a segurança-social, a organização do estado e a organização administrativa do território, entre outras, permitindo que se concentre na definição de políticas públicas que permitam resolver os seus problemas e perspetivar o futuro.

De nada vale ter recursos, ter acesso a fundos comunitários, se não existe uma ideia geral de país, nem uma estratégia global, necessariamente partilhada pela generalidade dos vários agentes políticos, para que possa, no essencial, ser continuada de ciclo em ciclo político. Sem isso, os recursos são gastos procurando projetos para os absorver, ao invés de serem um mecanismo que permite que certos projetos estratégicos possam ser executados, tendo em vista os objetivos que o país pretende atingir.

Ora, nada disso fomos capazes de fazer. O país, apesar das inúmeras encenações de debate na assembleia da república, não se leva a sério. Não se debate, não se discute e não se compara com o resto do mundo e decide, em consciência, o caminho que deve seguir, as áreas em que deve apostar, a forma como deve gerir a educação e formação avançada, a forma como quer estar visível ao mundo, que investimento procura, nem se organiza para atingir esses objetivos.

Não é possível continuar desta forma. Sem uma mudança radical, baseada numa nova geração e numa vontade séria de organizar o país, mudam as cores dos partidos no poder, mas, no essencial, mantém-se tudo o resto. O comportamento errático do país e os seus resultados pouco mais do que medíocres, são só a consequência de tudo isto.

A questão que se coloca é o que fazer e por onde começar. Já defendi que o país só mudaria quando passasse por um enorme aperto. Pensei que esse aperto seria a pré-bancarrota e a presença da troika em Portugal, com as enormes perdas que todos tivemos. Mas não foi. Hoje, infelizmente, estou convencido que uma mudança efetiva não é possível no curto e médio prazo. Isso implicaria uma opinião pública forte, informada e muito exigente, acompanhada de uma comunicação social com vontade de dar voz e corpo a essa capacidade de intervenção. Ora, nada disso existe e temo que estejamos a caminhar no sentido contrário. Não estou a ser pessimista, só não quero deixar de dizer que a nossa situação é muito complexa.

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