Opinião – O trabalho e a vida

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Há assuntos que são sempre fraturantes, como debater a vontade e a necessidade de trabalhar, nem sempre irmanadas, pelas diversas perspetivas de vida de cada ser humano. Não é de agora, pois sempre houve e haverá quem trabalhe com prazer, os que só pensam nos trabalhos que têm, e quem jure que a melhor vida que há, é viver no maior luxo e bem-estar, e sem ter de trabalhar!

O primeiro de maio celebra o Dia do Trabalhador, que mais que ser um dia de ócio, é uma pausa no trabalho dos que têm a ventura imensa de trabalharem e receberem salário. Mas nem todos conseguem viver fruto do seu trabalho, e são demais os que nem conseguem arranjar trabalho. Também há quem trabalhe sem salário, o que, quando não decorre da oferta voluntária da força de trabalho, ocorrerá por força de uma das mais torpes formas de exploração humana que existe.

São demasiados os que trabalham com afinco, dando de si tudo o que têm e podem, para auferir como contrapartida, salários de miséria. E há tantos outros que tendo tido empregos até à idade de reformas compulsivas, passam a receber pensões que não permitem viver com um mínimo de condições. E são imensos os que, ao perderem o emprego por qualquer razão, recebem subsídios de desemprego, que terminam um dia. Mas nem todos nos preocupamos com o que acontecerá a quem não volte a ocupar depois um posto de trabalho, embora o procure durante o resto da vida!

Há também quem tenha a felicidade de gostar do que faz nos empregos tidos na vida, o que permite a muitos dos que trabalham felizes, obter elevadas produtividades no trabalho, e tornar mais competitivas as organizações onde trabalham. Para que tal aconteça mais frequentemente, as sociedades mais preocupadas com o bem-estar dos trabalhadores proporcionam a criação de oportunidades de emprego para quem quer e pode trabalhar, e têm leis laborais que permitem aos empregadores recompensar melhor os que trabalham mais e melhor, e aos trabalhadores, participar ativamente na organização do trabalho, o que traz mais motivação e responsabilidade.

O pleno emprego não existe, nem existirá em qualquer lugar, mas este objetivo fica mais perto quando uma sociedade incentiva quem trabalha a criar o próprio emprego, e amplia e remunera adequadamente o exercício dos mais ínfimos trabalhos, sejam ou não sociais. E como o trabalho dignifica quem trabalha, é forçoso criar mais empregos para quem deles precise, mas tardamos demais em diminuir fortemente tanto desemprego jovem, em descer as taxas de desemprego de outros escalões etários para mínimos técnicos, e em apoiar melhor, e por mais tempo, os que não têm empregos, e quem, por qualquer motivo, fica impedido de trabalhar para toda a vida.

Pelo que todos os partidos políticos deviam lutar por acordos de regime para a empregabilidade, e desenvolver estratégias facilitadoras da criação de postos de trabalho, por ser urgente minorar uma chaga social que compromete o presente e o futuro de qualquer sociedade. É que, quando não há empregos para quase todos aqueles que reúnem as condições necessárias para trabalhar, nunca há crescimento suficiente, e sem este, o desenvolvimento será sempre insuficiente.

O primeiro de maio é o dia dos que trabalham, dos que desejam mas não conseguem trabalho, e de quem muito trabalhou na vida, até desfrutar a reforma. Hoje, as ruas encher-se-ão de palavras quanto aos direitos dos trabalhadores, e decerto que também das obrigações de quem trabalha, por o valor resultante do trabalho ajudar sempre qualquer sociedade, a ser mais livre e justa! Por isso, goze hoje o Dia do Trabalhador, que amanhã será de novo, um novo dia de intenso labor…

Gil Patrão escreve à terça-feira, semanalmente

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