Opinião: O assalto

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Passa hoje mais um aniversário – o 51º – do assalto à delegação da Figueira da Foz do Banco de Portugal. Um assalto de cariz político, digamos assim. Terão sido furtados perto de 30 mil contos, quantia que, ao tempo, seria um perfeito bambúrrio (hoje representaria cerca de 9 milhões de euros).

O acontecimento é, seguramente, dos ocorridos na cidade, um dos poucos com impacto nacional. Há outros, claro, mas não serão assim tantos. O desembarque da tropa inglesa em 1808, o congresso do Partido Republicano em 1914 e o congresso do PSD em 1985. A lista ficará, creio eu, por aqui.

O golpe contou com Camilo Mortágua e Hermínio Palma Inácio à cabeça. Duas figuras que se haviam já destacado na luta contra o salazarismo (com participação, por exemplo, no assalto ao paquete Santa Maria). Falecido em 2009, Palma Inácio caiu praticamente no esquecimento e Camilo Mortágua, ainda vivo, é mais conhecido pelas suas filhas, deputadas à Assembleia da República, do que propriamente pelo seu percurso.

De todo o modo, o acontecimento suscita, ainda hoje, certa polémica (mesmo em tempos de democracia, o acto não deixaria de ser qualificado como crime). Também há ainda, pelo concelho, quem tenha memória muito viva dos acontecimentos e até quem tenha tido alguma participação na acção.

Vale a pena, por isso, relembrar a edição do ano passado da obra “Palma Inácio e o Assalto ao Banco de Portugal da Figueira da Foz” da autoria de Luís Vaz, apoiada pelo Município, garantidamente o mais profuso estudo sobre os factos de 1967.

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