Opinião: Jogo duplo – telenovelas e política

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Há já algum tempo que me desinteressei de telenovelas. O romantismo, a ternura, os dramas da vida real, as histórias de época deram lugar a violência gratuita e sexo fácil. Poderia também falar do adultério, socialmente apreciado, quando em nome de um grande amor; do divórcio a pedido, simples e eficaz na resolução dos problemas; da simpatia que o casal homossexual inspira propositadamente no telespectador por ser sempre o mais equilibrado; das barrigas de aluguer enquanto doação ao outro e distanciamento da “coisa” que se traz no ventre.

E poderia esta realidade nada ter a ver com política… Mas tem!

Marx propôs algo aparentemente agradável e digno: uma sociedade perfeita, baseada na justiça da igualdade. Mas aparentemente… Para alcançá-lo, seria forçosa uma intervenção armada. Valeria tudo: expropriar, destruir, matar para conquistar algo teoricamente bom. Os meios justificariam os fins. O valor inquestionável da dignidade humana não teria valor durante o processo revolucionário.

Mas o marxismo original sofreu uma enorme crise teórica. Mais tarde, pelos anos 20, Gramsci e Luckács explicariam claramente esse insucesso: a enraizada ética judaico-cristã. E com ela os valores da Família. O maior inimigo do marxismo era a cultura ocidental. Não bastaria inspirar os trabalhadores a revoltarem-se: tarde demais! Era preciso começar mais cedo, de dentro, enquanto vontade natural do próprio, aculturar numa fase de construção crítica. Atuar nas escolas, nas universidades e nos meios de comunicação! Mas nada poderia ser evidente ou súbito.

Um jogo duplo disfarçado seria a estratégia. Era por isso tão necessário destruir a Família, enquanto corporação mais hierarquizada da sociedade. Denunciar os oprimidos e as vítimas de preconceito. Quem melhor do que as minorias? E assim normalidade passou a ser desprovida de significado e os valores judaico-cristãos retrógrados e ultrapassados, numa tónica de relativismo moral e de indiferença à conduta do outro. Passou a ser a própria sociedade a pedir essa mudança, sem se aperceber de que era e é vítima de clara manipulação das instituições de ensino e dos media. E das telenovelas…

Em dois estudos credíveis, La Ferrara e Chong constataram que as mulheres que viveram entre os anos 1970 e 1991 em regiões cobertas pela Rede Globo no Brasil, revelaram índices de fertilidade significativamente menores e taxas de divórcio mais elevadas, em contraste com as populações onde a mesma rede não era acessível. Era a desconstrução da Família em marcha.

E poderia até parecer teoria da conspiração, não estivesse a estratégia demasiado bem delineada e descrita em documentos que o comprovam.

Somos todos vítimas do jogo duplo das esquerdas, levando-nos com palavras bonitas e embalados por uma “morte doce e digna” por caminhos assustadoramente perigosos como o de homicídio na “morte a pedido”.

Tudo isto nos afasta dos valores fundamentais da nossa cultura que, estou certa, faziam de nós melhores.

6 Comments

  1. Albertina Rodrigues says:

    A Família enquanto santuário doméstico da Igreja, deverá não apenas devotar oração costumeira a Deus mas também certas partes da Liturgia das Horas, unindo de um modo mais próximo as Famílias à Igreja.
    Os valores fundamentais da cultura cristã incluem a castidade até ao casamento, a submissão da mulher ao esposo, a proibição de utilização de meios contracetivos e a abstinência sexual, salvo para ampliação da Família.

  2. Iōanna Nikolaïdes says:

    Senhorita Joana Bento Rodrigues,
    Entendo os seus receios.
    Mas como o que tem escrito revela falta de estudo (e nem sequer falo das afirmações relativas aos autores que mencionou) sugiro que ultrapasse as suas limitações educacionais e de inculcação doutrinal de matriz judaico-cristã e que esteja receptiva a mais do que novelas e apreciações irreflectidas, de quem parece ter apenas tempo e vontade para cultura de pacotilha. Quem quer saber saber mais e melhor aventura-se no desconhecido, e o desconhecido poderá sempre encerrar perigos que a afastam da sua habitual zona de conforto.
    Há bons livros escritos por filósofos portugueses que não têm propósitos de doutrinamento (nem tem que se expor ao difícil trabalho de traduzir correctamente certos assuntos para outra língua que não a sua nativa) que lhe podem abrir horizontes na questão dos valores. Dê-se ao trabalho e à modéstia de pesquisar quem são. Só fica bem a uma moça como a Senhorita Joana Bento Rodrigues.
    Valores são propriedades relacionais de agentes como a Senhorita Joana Bento Rodrigues e eu, que valorizam. A Senhorita Joana Bento Rodrigues considera que já encontrou aquilo que tem genuinamente valor?

  3. O Carbonário says:

    Parece-me que há uma grande confusão na cabeça desta senhora. Será que ela leu Marx? Penso que não leu (nem demonstra motivação para isso), e vale-se do facto de o leitor do artigo provavelmente também não ter – muito provavelmente – lido. Desafio esta senhora a apresentar as referências para as passagens na obra de Marx em que ele defende "expropriar, destruir, matar". Estará esta senhora a confundir Marx com Estaline? Nesse caso informo-a que Marx é o intelectual das barbas grandes, enquanto que Estaline é o senhor de ar frio e bigode farfalhudo.
    Lembro ainda a esta senhora que antes do 25 de Abril, eram as pessoas de esquerda, fossem republicanos, marxistas, comunistas, etc. que andavam a lutar para pôr fim à ditadura, tendo muitos sido presos, torturados e assassinados. Isto enquanto a direita constituía alegremente a União Nacional, apoiante do regime totalitário.

    Depois, esta senhora fala-nos das Famílias. Mas é necessário identificar as Famílias que a preocupam. São as Famílias mais abonadas, em que os seus membros exercem profissões mais diferenciadas e preferencialmente liberais, tais como médicos (que exercem no privado), advogados, administradores de empresas, lobistas, etc., que educam os seus filhos nos colégios privados, incluindo os da Igreja Católica, podendo pagar as propinas elevadas que estes impõem, e que não estão ao alcance de todas as Famílias. Enfim, as Famílias em que ela foi provavelmente educada e que são as únicas que ela conhece. De fora, ficam as Famílias em que os membros não tiveram possibilidade de estudar, exercendo profissões mais indiferenciadas, mais instáveis, que contam os tostões que ganham (ou que não ganham por ter ordenados em atraso ou por estar desempregados), que não têm condições para criar os filhos de forma saudável, etc. Estas últimas Famílias são aquelas que mais preocupam a esquerda (nomeadamente os marxistas), pois as outras já têm o seu problema resolvido.

    • Iōanna Nikolaïdes says:

      Não era respondendo àquela carinha… Era respondendo a esta. 🙂

      Ó Carbonário…
      Para isso é preciso passar o teste da leitura dos quatro volumes de O Capital, que pelas Edições Avante são ao que parece, sete tomos. Ou serão oito…?!
      Os bons marxistas, os bons políticos, os bons filósofos, enfim, as boas almas humanas costumam preocupar-se com as outras almas humanas. Tenham elas família, ou não.
      A Família são todas as almas humanas. Para já.
      Mas melhor, melhor, é pensar e agir em termos de Anima Mundi.
      Este último remate "Estas últimas Famílias são aquelas que mais preocupam a esquerda (nomeadamente os marxistas), pois as outras já têm o seu problema resolvido.", deve ser o resultado de andares muito ocupado com a cerveja alemã com hélio adicionado, tudo com o propósito de falares e cantares fininho como já falo e canto, e no meu caso por via de determinação da própria fisiologia. 🙂


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