Opinião: IP3 – de estrada da morte a uma via segura para o desenvolvimento

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Nos últimos seis anos, 85 pessoas perderam a vida em acidentes no IP3. Este número brutal caracteriza no essencial a via de principal ligação entre Coimbra e Viseu. O troço, concluído em 1998, é o de maior volume de trânsito na região centro, quer de veículos ligeiros, quer de pesados, especialmente de mercadorias. Chega a registar a circulação de 18.000 veículos por dia nalguns troços.

O IP3, complementado com o IC6 e com o IC12, articula-se com as restantes vias da região, de norte para sul e do litoral para o interior. É o acesso mais rápido para o Noroeste e para Espanha. É o principal eixo rodoviário ao serviço da região centro, do seu tecido empresarial e das suas populações, apesar das suas debilidades.

Tem de ser um instrumento para a mobilidade e acessibilidade dos cidadãos e a circulação de mercadorias, integrado num modelo de desenvolvimento para o interior.

No início dos anos 2000, alguns factores de risco foram reduzidos com a colocação do separador central em troços mais críticos. Mas a manutenção da via parou e sem investimento, nem manutenção eficaz, a estrada degradou-se, e não cumpre a sua função com níveis mínimos de segurança.

A via tem brechas no piso. Há abatimentos da plataforma. Não há separador central na maior parte do percurso no distrito de Viseu. Não são removidos e substituídos os rails que vão sendo destruídos nos acidentes. São inexistentes ou desadequadas as faixas de aceleração e desaceleração nas entradas e saídas.

É necessário corrigir vários nós de ligação, como o do IC6. Faltam nós de ligação e cruzamentos desnivelados na zona de Oliveira do Mondego/Cunhedo e uma saída no sentido Coimbra/Viseu, no nó do Alto das Lamas. Falta uma ligação da Zona Industrial de Telhado/Alagoa.

Há redução das vias de trânsito geralmente em lomba e sem visibilidade. Há barreiras e taludes caídos, ou em risco de ruína, e constante queda de pedras e de árvores. Há autênticas grutas sob o piso na zona da Espinheira. Em17 anos não houve reparação na descida do Botão, que aguarda por uma saída de emergência. Falta sinalização adequada. Há zonas com falta de drenagem e escoamento, com frequentes “lençóis de água”. Etc. Etc.

O PCP defende há muito que têm de ser tomadas medidas urgentes para a requalificação do IP3. O Grupo Parlamentar do PCP propôs recentemente uma resolução, recomendando ao Governo que, entre outras medidas, proceda com urgência à reparação do piso do IP3, à correcção dos graves problemas de segurança, ao seu alargamento para quatro faixas com instalação de separador central em toda a sua extensão.

Mais uma vez, o governo promete intervenção. Não se pode perder tempo. Garanta-se que o IP3 se mantêm ao serviço da economia do País e das populações, livre de quaisquer portagens e com todos os níveis de segurança exigidos para o volume de tráfego que tem.

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