Opinião: Incêndios

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Voltamos a este tema porque as medidas tomadas e anunciadas pelo Governo não resolvem nada. Não é aumentando o número de bombeiros que se consegue resolver o problema. É reabilitando a agricultura.

Eu assisti a incêndios… Um deles, num palheiro, não se chegou a estender aos palheiros vizinhos nem tão pouco à igreja. Se fosse hoje, muito provavelmente teria tudo ardido. É que o sino tocou a rebate e, quando cheguei à varanda, vi um cordão humano que passava cântaros e remeias de água da fonte (a reserva de água)… O meu pai e um compadre despachavam-nos e cortavam com um machado as traves. Não tinha sido terrorismo, tinha sido apenas descuido de um pedinte e era noite…

Há cerca de 10 anos, sendo presidente da ACM, ocorreu também um incêndio num edifício. Telefonam-me a dizer que saía fumo. Acorro rapidamente… Já lá estava muita gente e até os bombeiros. Vão a ligar as mangueiras às bocas de incêndio e nem uma gota saiu. A responsabilidade é da Câmara que devia ter pago todo o arranjo. Não pagou nada e ainda criou dificuldades. Alguém quis dar espectáculo com a ocorrência… Serenei e impedi que se fizesse…

Ainda antes, mas já após o 25 de Abril, ocorreu outro incêndio, desta vez, numa minha propriedade. Não herdada, mas comprada por mim. Foi fogo posto. Entra-se em contacto com os bombeiros e acorrem o mais rapidamente que lhes foi possível… Vem um helicóptero e despeja a água… Tinha uma charca próxima mas foi à barragem reabastecer… O fogo continua com a mesma intensidade. Chega a noite. Porque se lhe acabou o combustível não voltou. Os bombeiros fizeram um bom trabalho e impediram, pelo menos, que se estendesse a uma capela na proximidade.

Que fazer então? Primeiro, reabilitar a agricultura.

Com a chegada dos retornados, o produzido ultrapassou o que antes se produzia. Não havia incêndios, os campos estavam pastoreados… Na minha terra havia 15 rebanhos de cabras e ovelhas e 20 juntas de vacas ou bois. Se se produzia em excesso, quer fosse, dando como exemplo, batatas ou azeite, o Estado garantia um preço para que o produtor não tivesse prejuízo.

Acabaram com os complexos de recolha e transformação dos produtos agrícolas como era o do Nordeste, conhecido por Cachão.

Para terem uma noção do escândalo que está a acontecer, um quilo de batata paga-se ao produtor por 15 cêntimos e é vendido no supermercado por 5 vezes mais.

Como consequência, despovoou-se a periferia e o meio rural e migraram para as cidades. Transformaram-se em sem-abrigo, pedintes, drogados e até ladrões. Muitos dos bem-sucedidos aprenderam a viver de expedientes e os escândalos de corrupção, todos os dias anunciados na imprensa, são expressão viva do que está a acontecer.

Penso que devem ler o livro EIVA*, onde apresento soluções, e construir charcas e barragens para que haja água disponível, não só para apagar os incêndios como para duplicar a produção agrícola. Os senhores políticos, que hoje são quase todos das Ciências Jurídicas, Humanistas ou Empresariais são, no entanto, incapazes de criar uma empresa que produza riqueza agrícola ou industrial. Tornaram o nosso país – que era auto-suficiente agricolamente – dependente do exterior e estamos cada vez mais pobres, há cada vez mais desempregados… As greves são já um acontecimento banalizado… A produção é cada vez menor… Os impostos são cada vez maiores…

A insegurança, insatisfação e falta de emprego leva ao crime, à droga, à depressão, ao suicídio… Chego mesmo a interrogar-me se a eutanásia não será mesmo para se livrarem dos velhos… Dar lugar aos novos…
Porque o único bem que tem permitido aos políticos sobreviver é o turismo, que é assegurado por bens de consumo importados e que podiam ser cá produzidos.

Há Associação de Defesa do Consumidor (DECO)… Não será que é urgente criar a DEPRO (Defesa dos Produtores) e criar mercados populares, com produtos totalmente nacionais que é o que se passa no Brasil, por exemplo? Na Bahia, nesse mercado, os produtos são 40% mais baratos e protegem produtores e consumidores.

Deixo uma nota final: os incêndios não se combatem apenas com os bombeiros… Os incêndios previnem-se e combatem-se com o povoamento do meio rural. Mas pagando a preço justo o que se produz e ficarem aliviados de impostos.

Não será que podemos reduzir esses 50% de funcionários do Estado começando pelos próprios deputados?

* disponível online em: https://norbertocanha.wordpress.com/2017/05/16/eiva/

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