Opinião: Baixa do Souvenir

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A Baixa está viva.

Finalmente depois de anos de estagnação voltámos a ter vida na Baixa. As famílias e os jovens estão a comprar as suas primeiras habitações nos quarteirões reabilitados da Baixa. As empresas, fruto de uma estratégia de desenvolvimento e reabilitação integrada, estão a deslocalizar-se para a baixa. Escritórios inovadores, empresas a crescer. Vida, finalmente.

As lojas âncora chegaram. A grande ideia reclamada há anos pelos comerciantes da Baixa foi finalmente concretizada. Depois das famílias, depois das empresas, chegou o grande comércio.

Os problemas de criminalidade estão resolvidos. Já ninguém tem medo de dar um passeio com a família ao anoitecer na rua Direita. O reforço policial, a movida que chegou a esta zona foi suficiente para resolver este problema cronicamente apontado.

Novos restaurantes, novos bares são inaugurados todas as semanas. As publicações internacionais olham para nós. Somos uma das cidades médias da europa em maior crescimento.

Andámos duas décadas a sonhar com este momento e finalmente chegou. Famílias, empresas, lojas.

Porquê? Porquê só agora? A resposta está nos poderes públicos. Finalmente temos um executivo municipal que faz a coisa certa: simplifica processos, implementa estratégias de reabilitação integrada – estamos a trabalhar ao quarteirão, deixámos a abordagem prédio a prédio -, capta investimento internacional e empresas inovadoras. A extinção da SRU foi um passo fundamental, um toque de mágica deste executivo. Parabéns a todos.

Estava a brincar. Podíamos estar a falar dos centros históricos de Lisboa, Porto, Braga, Guimarães, mas Coimbra está atrás, como sempre.

De qualquer forma, não tem problema: a baixa é bonita. Continua a ser uma montra bonita, sem pessoas, sem empresas, mas uma boa montra para os turistas que nos chegam e passam cá uma tarde.

Visitem a nossa baixa. Comecem na 8 de Maio com uma congratulação ao nosso executivo. É bom, dá para comer um crúzio e levar um galo de barcelos para a porta do frigorifico.

E isso para o PS chega. Para Coimbra talvez não.

One Comment

  1. Não é só souvenirs says:

    Um ponto prévio antes de fazer o meu comentário,não sou do PS,nem de nenhum outro partido,não trabalho na CMC,nem sou comerciante da baixa.

    Concordo com o que diz acerca da Baixa de Coimbra,está mal,é verdade,necessita de muitíssima reabilitação,é obviamente verdade,precisa de mais policiamento,é verdade,precisa de lojas âncora,bares e discotecas,concordo em absoluto.

    Agora resumir,como diz no título da sua crónica, um centro comercial a céu aberto de mais de 300 estabelecimentos, se incluirmos a Rua da Sofia e a Av.Fernão de Magalhães serão mais de 400 a meia dúzia de lojas que vendem souvenirs para turistas é simplesmente ridículo !

    Eu que vou à baixa todas as semanas e sempre que necessito de comprar alguma coisa,consigo encontrar em 70%,80% dos casos aquilo que realmente preciso e muitas vezes,pasme-se,mais barato que nas grandes superfícies.

    Para sua informação a baixa não se resume apenas ao eixo Ferreira Borges/Visconde da Luz e mesmo só nessas duas ruas,é possível encontrar entre outros: vestuário,calçado,ópticas,perfumaria,têxtil-lar,peles,joalharia,relojoaria,jogos sorte/azar,restauração,museus,etc.

    Se andar pelas outras dezenas de ruas da baixa vai encontrar outras áreas de negócio como: material eléctrico,ferramentas,utensílios de cozinha,talhos,peixarias,restaurantes,cafés,pastelarias/padarias,fotografia,discos/vinis,frutarias,vestidos de noiva,cosméstica,lojas dos "trezentos" e estas são apenas aquelas que me estou a lembrar neste momento.

    O problema principal é que o português habituou-se a frequentar shoppings e para o tirar de lá não é fácil, eu serei concerteza um caso à parte porque só procuro as grandes superfícies se não encontrar à venda aquilo que quero no comércio tradicional.

    Apesar de tudo o que eu disse, é óbvio, que é necessário um enorme esforço de todos, a começar na CMC para inverter esta situação.

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