Opinião: As mulheres da SANTIX

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É longa e dura a luta destas mulheres trabalhadoras. “Mulheres de um raio!” foi título de crónica pretérita sobre a luta destas operárias, referindo-me deste modo então: «“Mulheres de um raio!”, comentou o velhote que seguia atentamente a reportagem da televisão sobre uma concentração de mulheres à porta de uma fábrica. Ao final da tarde, entrei num café e enquanto bebia uma bica, a televisão transmitia a reportagem da luta das trabalhadoras da Santix, em Coimbra.

Então a empresa devia-lhes dinheiro: Ainda não receberam o mês de Março, a empresa deve-lhes o subsídio de férias de 2014 e o acordo de pagamento mensal de 50 euros para abater a dívida de cerca de 3 mil euros para com cada trabalhador deixou de ser cumprido. “Mandaram-nos para férias sem dinheiro e para quê?”, questionava uma das dezenas de mulheres concentradas à porta da fábrica, depois de impedidas de entrar nas instalações. Joana conta a sua história. Há mais de vinte anos que trabalha ali.

Agora não se percebe bem quem são os patrões. A fábrica fundada em 1900 por Santiago Allo Alvarez, a Santix Indústria de Confecções SA, especializada em confecção clássica para homem, terá acordado na cedência de instalações e pessoal a outra empresa, a Insieme. “São estes que nos pagam. Ou melhor, não pagam…”, esclarece outra mulher e já Susana comunica que “trabalho é coisa que não falta”. Luísa revela que passa fome. Sem o salário de 500 euros não sobrevive. “Como pagar a água, a luz, sustentar o filho, comprar comida?”

Há muitas que moram longe. “Não ganhamos para o transporte.” Uma vem de Penacova, outra de Poiares, outra de Montemor. “Tratam-nos como se fossemos bichos. Nem uma palavra de satisfação. E quando quisemos entrar para trabalhar ainda nos insultaram e empurraram.” “Só queremos o que é nosso! O salário é pouco, mas…” “E se a fábrica fecha, o que vou fazer? Trabalho aqui há 35 anos! Se for para o desemprego não sirvo para mais nada… ”».

Depois, com uma luta intensa as coisas ganharam outro rumo. Em Maio de 2016, a administração recorreu ao Fundo de Garantia Salarial da Segurança Social. A empresa reabriu em 2017. Na rua uma mulher confidenciou-me: “Obrigada! Só vocês os comunistas nos ajudaram!” Hoje, de novo, as mulheres estão em casa de férias forçadas. A empresa deve-lhes o mês de Fevereiro, metade de Janeiro, ainda metade dos subsídios de 2014, férias trabalhadas e não pagas, subsídios de 2016. O conjunto da dívida rondará agora, a cada uma, cerca de 5.000 euros.

Recebo nova mensagem da Joana: “Até podemos ir para a suspensão! Mas não desistimos de lutar pelo que nos devem. E pelo direito ao trabalho!”

Joana, Luísa, Maria, e tantas mais. Estas mulheres passam fome. Exigem o salário pela venda do seu trabalho. O que lhes permita dar de comer aos filhos e viver com dignidade! Foram e são mulheres de luta! “Mulheres de um raio” – comentava o velhote!

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