Opinião: Serviços Públicos, sempre!

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Os jornais noticiam a morte de uma mulher em casa enquanto o marido percorria mais de dois quilómetros para conseguir aceder a um telefone para pedir socorro. Não, não é uma notícia de há seis ou sete décadas! Não foi também num país distante.

Foi numa aldeia da Sertã, há alguns dias, neste mês de Fevereiro de 2018! O episódio dramático deve-se à inexistência de linhas de telefone fixo destruídas pelos incêndios do verão. A “Altice/ Telecom” abandonou estas aldeias.

O óbito, segundo uma rádio local, “Rádio Condestável”, ocorreu na aldeia de Vale de Ameixoeira, freguesia de Troviscal, concelho da Sertã, Portugal. Sem linha de telefone, pelo facto de, apesar de decorridos tantos meses, ainda não estarem totalmente reestabelecidas as comunicações na zona e de não existir rede de telemóvel, o marido da vítima caminhou dois quilómetros para pedir auxílio.

Esse tempo foi provavelmente o tempo que separou a vida da morte. Reporta a comunicação social que já no final de 2017 ocorreu uma situação idêntica. Então, o marido sentiu-se indisposto e a esposa percorreu dois quilómetros para pedir ajuda médica.

É dramático! É inadmissível! A morte de uma cidadã portuguesa neste contexto e com estes contornos macabros põe a nu as consequências da privatização da “Portugal Telecom”, hoje “Altice Portugal”. Há sectores da nossa economia, empresas fundamentais, que, pela sua sensibilidade social, pelos serviços públicos imprescindíveis que deviam prestar, jamais podiam ter sido alienados. Além das telecomunicações, o serviço público postal (CTT), a energia, a água ou os transportes, entre outros.
Meses depois, a “Altice” justifica que já refez 99,5% das ligações cortadas pelos fogos. Azar desta moradora do Vale da Ameixoeira, cidadã deste país, que morreu por viver no interior esquecido!

Há relatos de tentativas por parte da “Altice” de, à boleia da substituição da rede de cobre por fibra óptica, impor pacotes que incluem televisão a clientes que apenas tinham telefone fixo, com mensalidades mais elevadas…Negócios!

Ora, os portugueses exigem e têm direito a serviços públicos de qualidade. Os negociantes, os agiotas e empreendedores de todo o tipo que se dediquem ao que quiserem, cumprindo leis. Não ponham em causa a vida e os direitos de todos! Não se pode explorar e lucrar com direitos dos cidadãos. Estes têm de ser assegurados por serviços públicos de qualidade. Estado significa cuidados de saúde, segurança social, educação, serviços públicos.

One Comment

  1. Sendo sempre de lamentar uma morte, não posso deixar de me questionar: na "aldeia" vivia apenas aquele casal? É que se teve de caminhar dois quilómetros para contactar o vizinho mais próximo, não viverá propriamente numa aldeia. E aqui já se levanta uma de duas questões, ou o êxodo ou o planeamento urbano (ou falta dele).

    Não atiremos pedras à Altice sem conhecer mais detalhes… Repito que uma morte é sempre de lamentar mas… devemos todos nós pagar para que a rede telefónica chegue a qualquer casa? Ou devemos olhar para este caso como um exemplo da importância do planeamento urbano e do porquê não se dever permitir construir em qualquer lado?

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