Opinião – Congresso do PSD – O Fim de um Ciclo

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Poderá parecer estranho e até ousado que eu, não sendo aparentado ou militante do PPD/PSD me atreva a falar sobre um Congresso que obviamente, não me dizendo diretamente respeito, acho que apesar de tudo o posso comentar, com a liberdade que este jornal me proporciona e com a minha forma de estar na vida.
Uma primeira palavra para o líder Passos Coelho que teve seguramente uma das mais difíceis e complexas tarefas, juntamente com Paulo Portas, na gestão de um País à beira da “banca rota”, herança de José Sócrates.
Centrou toda a sua ação numa estratégia que tentava evitar o exemplo grego, focando-se de forma exemplar a tentar cumprir um único programa de ajustamento.
Foi, não tenho dúvida, um Homem de uma seriedade acima de qualquer suspeita, pondo sistematicamente os interesses do País à frente de interesses pessoais ou partidários.
É raro encontrar-se, nos tempos que correm, alguém com tão grande capacidade de reagir à adversidade e ao desvario de uma oposição que para além de fazer manifestações “dia sim, dia sim”, tinha grupos organizados de espera aos Ministros para os contestar nos meios de comunicação, que não só os contestavam, como os insultavam de forma absolutamente inaudita, bem como greves, que ultrapassavam as 300 por ano.
Não resisto a contar-vos uma história:
Ia de táxi em Lisboa, a caminho da Assembleia, quando vejo do meu lado esquerdo cerca de 10/12 pessoas, com uma enorme faixa que contestava mais uma medida tomada pelo governo de Passos Coelho. Comentei com o motorista de táxi e ele disse-me, na sua forma sábia, que visse à noite a televisão para saber o que se passava. Qual não foi o meu espanto, quando no noticiário das 20h passou a peça em que os 10/12 se tinham tornado “mais de 100 pessoas” e filmando de baixo, se viam 3 ou 4 bandeiras, parecendo que uma multidão ali estava reunida.
Foi assim durante 4 longos anos, em que não deixo de reconhecer que a classe média deste País foi fortemente afetada, sofrendo de forma muitas vezes brutal, as imposições da troika que infelizmente para todos tinham que ser cumpridas, para evitar o segundo resgate.
Nesse tempo reconheço que a esmagadora maioria do País foi heróica, mas o governo com a persistência, o saber e a vontade férrea do Primeiro Ministro e não só, a tudo resistiu e acabámos com uma saida limpa no prazo previamente estipulado.
Se mais nenhuns exemplos houvera – o não a Ricardo Salgado que queria através da Caixa Geral de Depósitos viabilizar o Grupo Espírito Santo falido, e a criação de uma justiça verdadeiramente independente que finalmente pôde interpelar todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estivessem a lesar o Estado Português independentemente do estatudo político, social ou económico – seriam suficientes para lhe deixar a nossa admiração.
Foi seguramente um dos melhores governos de Portugal, e um líder acima de qualquer suspeita, que apesar de todos os contratempos conseguiu ainda assim vencer as eleições que depois António Costa decidiu inviabilizar através da conhecida geringonça.
O caminho para Rui Rio não se apresenta fácil, bem como para o partido a que preside, sendo absolutamente necessário que, de uma vez por todas, se reconheça que os números que este governo vem atingindo só foram possiveis graças à persistência do anterior governo no que concerne às questões económicas e financeiras do País. Desejo-lhe, Dr. Rui Rio, as maiores felicidades no atingir dos objetivos que o seu discurso final deixam antever.
Como Português não poderia deixar passar em claro a saída de um grande estadista que, acompanhado por um governo excecional, conseguiu um dos mais notáveis feitos nos 44 anos que levamos de democracia.
Que me perdoem a ousadia os sociais democratas, porque nada disto invalida a minha vocação de Democrata Cristão convicto, da qual não abdico.

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