Opinião – Ao país

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Uma pesquisa sobre a questão da sanidade dos matadouros no início do século XX, mais propriamente em 1910, fez-me conhecer um opúsculo ou melhor panfleto, onde se pedia ao público que o lesse por se tratar de “uma causa justa que todos devem conhecer e em especial os habitantes da cidade e concelho de Coimbra, a quem interessa higiénica e economicamente.” E tinha este o subtítulo esclarecedor: “A questão do matadouro de Coimbra. Um contrato fabuloso feito por sessenta e cinco anos. A fraqueza da câmara perante o escandaloso procedimento da companhia. Exposição de factos.” ( 1 )
Vivemos agora uma situação semelhante quanto aos CTT que, privatizados, ficaram quanto ao serviço de correio em muitos casos inacessíveis aos cidadãos do litoral que precisam deles. O mesmo já tinha acontecido no interior perversamente desertificado ao longo de anos, onde este serviço se tornou escasso, isolando cada vez mais os homens e mulheres que aí vivem.
Semelhantemente temos no acesso telefónico e internet situações semelhantes com locais sem acesso ou com acesso limitado, e sempre pelo mau serviço das empresas fornecedoras de serviço de telemóvel e de internet, que usam de diversos subterfúgios para extrair o máximo de receitas pelo pagamento obrigatório, que os clientes são obrigados a fazer para estarem em contacto com familiares, clientes ou tão só de entretenimento.
Tudo aconteceu por terem sido privatizados serviços essenciais à vida das populações e das empresas, que assim ficam à mercê de uma lógica de lucro de empresas oligopolistas que é incompatível com o correto funcionamento da economia global.
Também neste nosso país massacrado por tantos desastres, a falta de comunicações em 17 de Junho agravou a catástrofe de Pedrogão Grande. Sabemos, por isso, agora que um nacional-porreirismo generalizado, ao desculpabilizar todo o bicho-careto provoca a impunidade generalizada de todos os comportamentos desviantes, que se repercutem inevitavelmente no mau funcionamento da nossa sociedade.
É o que agora se espelha nas notícias sobre a disfuncionalidade generalizada da justiça, algo que no mercado de trabalho e de comércio de bens e serviços produz injustiças e desconfianças que não deixa funcionar os mercados.
Era contra isso que os conimbricenses em perigo por falta de higiene no mercado da carne se rebelavam ao ver a sua segurança alimentar em perigo.
E agora tudo se repete como tragédia agravada ao colocar em perigo entre nós o funcionamento da sociedade da informação.

( 1 ) Ao País: A Questão do matadouro de Coimbra. Um contrato fabuloso feito por sessenta e cinco anos. S fraqueza da câmara perante o escandaloso procedimento da companhia. Exposição dos factos.

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