Opinião: Abaixo a leitura, diz ele

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Ao longo dos anos, tenho visto a paixão pela camisola desportiva transformar-se na mais triste manifestação de intolerância, ignorância e palermice. Sempre gostei de me socorrer da história e da filosofia para encontrar, não justificações, mas as explicações e as semelhanças com momentos variados do tempo em que vivamos.

Hoje, “saltarei” até ao século XIX. Flaubert escreveu: “Todo o mal vem da imprensa”( in Euvres Complètes, editadas em “Clube de L,Honnete Homme”, Paris, 1973,Vol.III, página 437). Não sei se o presidente da direção do Sporting leu estas palavras. Duvido. Nas suas mais diversas apreciações, os ultramontanos estão mais dispostos a vociferar do que a cultivarem-se. Confesso: sou adepto do Sporting desde a primeira classe, há muitas e muitas dezenas de anos. Mas fiquei pasmado com o que ouvi contra a imprensa, a televisão, os média em geral.

No século XIX, também a filosofia e a literatura eram atacadas. Leia-se a soirée dos Dambreuse: “Em seguida, as pessoas sérias atacaram os jornais ( idem)”. Sabemos a que isto conduz: a pilhas de livros a arderem por toda a Alemanha nazi, a censuras por todo o mundo. Nada tenho contra os gestores, os economistas, os mestres de obras, os construtores civis Recordo: Thiers escreveu sobre “a inveja dos pobres”, Tocville chamou-a de “inquietação do espírito”. Pobres aqui, de espírito. Continuo pasmado com o ouvido. Mas não deixei de ser do Sporting.

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