Opinião – A matemática social

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Não, não vou comentar sobre o PSD que foi eleito em congresso, embora gostasse que o tempo de antena da primeira semana tivesse sido ocupado com as ideias do novo projeto, ao invés de ver o partido submergido em notícias sobre uma das novas vice-presidentes que passou por uma das ordens profissionais e se fartou de dizer mal do anterior governo, ou que na primeira reunião da nova direção tenham gasto tempo e criticado a reforma da justiça e a reforma da administração local. Para terminar a semana, também não foi boa aquela eleição para o novo líder parlamentar, feita a “mata-cavalos”, expressão tão cara a Norte. Como militante de base, desejo-lhes sorte e engenho porque Portugal continua a precisar de um PSD forte.

Prefiro então, esta semana, partilhar uma experiência profissional em Marrocos. A sul, quase na Mauritânia, está a cidade de Dakhla, mais conhecida por ser uma terra de pescas e de “kitesurfing“. Ainda em estado quase natural, paredes meias com o deserto do Saara, habitada por um povo simpático que olha para cada estrangeiro de forma afável, está esta cidade com mais de 50.000 pessoa. Há poucos táxis, poucos hotéis, muitas pequenas lojas, uma forte presença dos serviços do Estado , dizem por necessidade e porque aquele território têm particularidades que obrigam a um tratamento especial da parte do Reino de Marrocos. Também há muitas empresas dedicadas às pescas e à congelação de peixe que é exportado , na sua maioria, para o Japão, Espanha e Itália. Ali, o peixe que fica, destina-se aos melhores restaurantes da cidade plantados à beira de uma baía a que chamam Rio de Ouro porque os recursos são excepcionais, ou , sendo sardinha ou cavala, a fábricas de conservas locais. Os turistas são na sua grande maioria franceses que gostam de surf ou que simplesmente procuram um país cuja língua seja a deles, e onde o tempo não se imponha. Ali, esta semana, provavelmente, seríamos os únicos preocupados com reuniões e com horários. Quando tivemos tempo, almoçámos num restaurante cujo dono nos disse que tinha vindo para Dakhla com um português chamado Daniel, há tantos anos que nem ele se lembrava. O almoço tinha sido retirado do “rio de Ouro” ali ao lado. O espaço estava cheio de franceses e de alguns marroquinos que levavam , por sua vez, as suas visitas. Isto tudo ao lado do mar e com o deserto da Mauritânia como pano de fundo. As praias estão no seu estado bruto, apesar de se verem vários resorts a nascer em cima das dunas, o que talvez não seja bom presságio. Ali, para aquelas bandas, não se discute política, não se fala do Trump, apesar da televisão da recepção do hotel estar sempre ligada na “television française” e de se ouvir falar do Macron. Ali, as pessoas são genuinamente simpáticas e percebe-se que os cálculos são deixados somente para o comércio. Isso não existe na relação entre as pessoas. Talvez seja uma questão de tempo, tal como os novos resorts. Mas, apesar de ser uma viagem dura e com pouco conforto, num destino desconhecido, também com elevado potencial económico, foi bom desligar dos habituais assuntos portugueses. Sobretudo os que à falta de solidariedade, dizem respeito.

 

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