Opinião: Inovação e tecnologias são desígnios de Coimbra

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Venha daí comigo visitar um dos pólos tecnológicos de Coimbra, localizado no Vale das Flores. Infelizmente, não se vêem muitas flores por ali, o que autarquias e moradores poderiam alterar, tornando mais atraente uma zona onde se localizam algumas das escolas e das infra-estruturas científicas de gabarito que há nesta cidade. Mas vê-se bem que a degradação existente nalgumas ruas, e nas suas zonas circundantes, não se coaduna com a valia do labor que aí é desenvolvido, há imenso tempo, por investigadores, professores, alunos, empresários e demais trabalhadores.

Comecemos a volta pelo Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), que tem formado tanta gente importante, entre os quais um que chegou a primeiro-ministro e que se arrisca a ser recordado para sempre… Tenha cuidado, que os passeios estão numa desgraça, tantos são os buracos e desníveis existentes, e as dezenas de metros em terra batida. Continuando a passear, vemos mais passeios por acabar, a circundar as instalações dos Bombeiros Sapadores da Câmara de Coimbra, e no que, mesmo em frente, delimita um parque de estacionamento público. Até parece que estamos num qualquer país subdesenvolvido, e não na tão evoluída União Europeia!

De seguida, chegamos à Incubadora do Instituto Pedro Nunes, que é “só” uma das melhores do mundo. Mas, junto ao primeiro edifício – o “A”, e que já vão até ao “D”, mostrando a vitalidade da Universidade de Coimbra -, os passeios estão tão degradados que carecem de reparação urgente, para dignificar não só quem aí trabalha, mas quem os procura. É que há empresários de todo o lado que visitam esta Incubadora, que tem na Professora Teresa Mendes a sua brilhante impulsionadora! Porque há tanta incúria, por parte de quem devia prezar toda esta zona urbana?

Rumo ao LAI, onde o Professor Xavier Viegas e outros investigam aerodinâmica industrial e o comportamento de incêndios florestais, e ao ITECONS, no qual o Professor António Tadeu vem exercendo atividades tão espantosas que algumas das maiores empresas mundiais testam aí diversos produtos, há passeios e bermas desmazelados, ou nem passeios há onde devia haver, o que é incompreensível! Afinal, construir e conservar ruas e passeios da urbe, compete a quem?

Será à Câmara? Muitos dizem que esta autarquia não sabe cativar os empresários, e que as taxas que cobra às empresas não são competitivas, quando comparadas com as de outros municípios de primeira grandeza. Se assim for, por certo que afugentará investidores! Outros afirmam que a Câmara não preza empresas de setores de bens transacionáveis – e de outros -, nem sabe atrair o capital, embora haja quem insista em dizer que Coimbra tem fixado muitos investimentos!

Certo é que começa a haver crescimento económico (lento, é certo…) no país e na região, enquanto Coimbra permanece estagnada! Será por ter desprezado alguns dos setores capazes de promoverem um maior progresso? E será por isto, que o CiP está tão desocupado? Mas quem administra o Coimbra inovação Parque disse que este, comparado com parques similares, é um sucesso! Porém, se formos agora até ao CiP, será que o veremos repleto de grandes empresas, das que aliam a investigação aplicada aí praticada, à riqueza lá criada? Ou não será bem assim?

Neste breve percurso, observámos o estado degradante de algumas envolventes de instituições tecnológicas de prestígio que existem nesta cidade. Face à incúria visível, a Câmara, o ISEC e a Universidade de Coimbra já deviam ter unido esforços para valorizarem um dos pólos de desenvolvimento tecnológico de Coimbra, que, se for bem cuidado, ficará mais digno e atrativo.

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