Ambiente melhorou em Souselas 10 anos depois da coincineração

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Em fevereiro de 2008, a cimenteira da Cimpor, em Souselas, iniciou o processo de queima de resíduos industriais perigosos. Na base, estava a legislação criada 10 anos antes, pelo governo de Guterres. A contestação popular já desapareceu, mas a luta mantém-se em tribunal.
“Este processo foi um sucesso, para quem estava contra a coincineração, porque a coincineração que temos agora é uma fração pequenina daquilo que se pretendia na altura coincinerar”, disse à Lusa o reitor da Universidade de Coimbra e antigo dirigente da Quercus.

João Gabriel Silva
mantém posição inicial
João Gabriel Silva, que foi um dos rostos da luta contra a queima de resíduos industriais perigosos, diz que, havendo para alguns tipos de resíduos “alternativas técnicas ambientalmente melhores e que fossem economicamente viáveis”, essas alternativas deviam ser escolhidas, “em vez de meter tudo misturado, sem grande critério, nas cimenteiras” – uma posição que defendia na altura e que mantém. “Ora, isso acabou por ser, em larga medida, exatamente o que aconteceu”, alega.
O biólogo João Pardal, antigo presidente da junta de freguesia de Souselas, nota, por seu turno, o aparecimento de um quadro legislativo que veio impor práticas ambientais “mais adequadas” ao tratamento de resíduos e que, em Souselas, “obrigou a um conjunto de medidas de proteção ambiental na cimenteira [da Cimpor] que, por sua vez, levaram a melhorias do ambiente local”.
A título de exemplo e embora assumindo que não há estudos que o comprovem, João Pardal aponta uma “relação de causa/efeito” nas oliveiras plantadas em terrenos situados em redor da unidade fabril de produção de cimento: “Durante anos, as oliveiras não davam azeite, porque não havia azeitona, pura e simplesmente a flor caía, não havia a produção do fruto para fazer o azeite. E, desde que foram implementadas algumas medidas de proteção ambiental, passou a haver azeitona e passou a haver azeite”, destacou.
A “parte mais negativa” e que levou à revolta das populações “foi sempre o tabu que se fez em volta do processo de coincineração”, argumenta.

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