Opinião: Figueira…da Foz

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Qualquer país possui zonas consideradas especiais: pela beleza única, pela sensibilidade ambiental, pela biodiversidade, por possuir características que são raras. São zonas que consideramos como património de todos, onde quer se situem. Se sofrem algum dano, sentimos que é um pouco de nós que foi afetado. Por isso nos dói quando arde o Gerês ou o Pinhal de Leiria.

Quando ouvimos das arribas que se vão. Ou das lagoas que se enchem de pesticidas.

Os mil quilómetros de áreas costeiras que Portugal possui é uma dessas áreas sensíveis. Durante demasiados anos, por ignorância, desleixo ou ganância, permitiu-se que se cometessem abusos no seu uso: com ocupação intensiva privada, com extração de recursos, com emissão de efluentes, com construção de infraestruturas que causaram efeitos colaterais.

Infelizmente, a Figueira da Foz não escapou a tais movimentos, cujas consequências vão sendo agravadas pelos fenómenos naturais.

Por tudo isto, quando se pretende devolver aos cidadãos uma área costeira nobre que tem sido ocupada por um uso privado (o parque de campismo no Cabedelo) essa decisão parece fazer sentido. Ainda para mais quando as condições em que funciona em pouco dignificam a zona em causa.

Ficamos agora à espera que o executivo municipal nos devolva um outro bem que é de todos: a vista “limpa” sobre a foz do Mondego. Para que não sejamos a “Figueira das…caravanas”. Ou do “mamarracho cinzento”.

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