Opinião – Alterações climáticas

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Nunca como agora os homens poderosos se sentiram tão pressionados a ter em conta as alterações climáticas, mas o contestado homem do império nunca teve tanta necessidade de contestar as alterações climáticas para manter o seu objetivo de fazer a sua América grande de novo. Contudo, os ventos fortes e as tempestades estão na sua própria Nova Iorque a mostrar que houve uma ruptura na previsibilidade do clima do continente norte-americano. Talvez até já não existam meteorologistas que digam algo como um meteorologista escreveu: “Nunca observei em Coimbra, que o Termómetro mostrasse uma temperatura, que correspondesse ao gelo natural” ( 1 )

Fala-se agora de uma vaga de frio, antecedida de uma tempestade de neve, que atingiu os Estados Unidos, onde há, pelo menos, 19 mortes relacionadas com as condições meteorológicas, sublinhando-se que se atingiram algumas marcas históricas, nevando na Florida e fazendo mais frio em Nova Iorque ou em Chicago do que no Alasca. Ficam assim irreconhecíveis lugares que percorri há pouco num verão suavemente quente e que agora estão cobertos de neve, obrigando a mudanças radicais de vestuário.

Em Portugal, informam agora alguns ministros que a seca já se foi a norte do Tejo, havendo somente problemas no sul deste Rio que banha Lisboa. Tentam apenas fazer-nos esquecer os dramas do nosso verão, sem nunca falar do aquecimento global, e da triste sina de um Portugal sempre cada vez menor por ficar com a desgraça globalizada cada vez mais empobrecido.

Nem sequer se fala de um processo histórico que descuidou, por abandono desleixado, um território cada vez mais invadido por animais e plantas, que se aproveitam da desertificação para aparecerem no quase centro de Coimbra, como aconteceu há dias.

Nem ninguém questiona o processo político e administrativo, que foi esvaziando o interior de serviços que o faziam viver, como se tal fosse racionalmente inevitável. Esvaziaram-no neste processo de gente que era necessária para cuidar da floresta e da restante agricultura. Falava-se sempre que era necessário para poupar recursos financeiros necessários à salvação de bancos… Foi o que verificámos depois serem imprudentemente mal geridos e até com fraudes, algo que o nosso sistema judicial não consegue punir. Mas, castigado já está e sem apelo pelos incêndios o nosso Interior.

Continua agora a ser castigado com a falta de profissionais de saúde, apesar de quererem fixar-se nesse mesmo Interior, que até precisa deles para continuar a sobreviver como território habitável e sustentável.

E nada parece justificar a inação de um poder político, que se mostra tímido em reencontrar em cada local um ponto de equilíbrio social e ambiental, logo aquele em que possa fazer viver sustentavelmente o nosso Interior.

( 1 ) Jornal de Coimbra, vol. VII,

Parte 1, n. XXXVI,

Janeiro de 1815, p. 288

 

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