Opinião: Jornadas históricas

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O conhecimento da História e a preservação da Memória são apanágio de qualquer sociedade interventiva, inovadora e civilizada. O conhecimento do passado permite-nos compreender melhor o presente, preparando um futuro com menos percalços. Muitos erros cometidos no presente já foram cometidos no passado.

O estudo e a análise do fluir histórico, quer dos prolongados sistemas estruturais quer das situações, individuais ou coletivas, mais efémeras ou conjunturais, poderá auxiliar os decisores atuais a encararem o devir histórico com mais confiança e assertividade.

A ignorância não é boa conselheira. A História possui um manancial informativo de elevado potencial. Na sua curta e efémera vida, o ser humano não deveria desperdiçar o conhecimento acumulado ao longo de milhares de anos. Saber milenar, em todas as áreas, nas diversas latitudes e longitudes, abarcando todas as áreas do saber, das atitudes, das emoções, da técnica, da política, da paz e da guerra, da estética, da antropologia e de tudo o que imaginar se possa.

A História é infinita. Deve ser estudada, divulgada e conhecida. Uma sociedade que não preserve a sua História e a sua Memória, dificilmente conseguirá evoluir em direção a um futuro consistente, consciente e identitário. Todas as pessoas, todos os países, economias, políticas, culturas, mentalidades, são o resultado do seu passado, dos seus contextos, das suas circunstâncias.

Em 1998, numa cidade de média dimensão, no interior de Portugal, um pequeno grupo de pessoas, alguns historiadores com visão, reuniram apoios e condições e atreveram-se a organizar um Seminário subordinado à temática dos Descobrimentos Portugueses. Durante dois dias do mês de novembro, no Salão de Congressos da cidade de Seia, decorreram as Primeiras Jornadas Históricas de Seia, reunindo mais de 100 professores de História, oriundos de diversos pontos do país, num debate científico com docentes de várias universidades.

Um ano mais tarde, repetiram a iniciativa, desta vez com a presença de quase 200 professores. O tema escolhido, em 1999, estava relacionado com o Século XX e o final do Milénio.

No ano 2000, sempre com a coordenação científica do Professor Fernando Catroga, da Universidade de Coimbra, as III Jornadas Históricas atraíram 216 professores de História para debaterem a temática da Morte e da Festa.
Em novembro de 2001, mais dois dias de trabalho, sobre a Vida e Obra de Afonso Costa. Estiveram presentes 213 professores. As Jornadas Históricas de Seia estavam a tornar-se um fenómeno nacional. De referir que os participantes não só tinham que pagar uma inscrição como ainda custear todas as suas despesas pessoais.

Em 2002 o tema foi A Mulher, em 2003, o Tempo de Álvaro Cunhal, A Loucura em 2004, O Poder Local, em 2005 e em 2006, As Atitudes Religiosas dos Portugueses. Portugal, Ritos e Mitos, Maçonaria, Sociedade e Política, Guerra e Paz, O Ideal Republicano e a Luta pela Cidadania, a História e o Corpo, História e Alimentação, Portugal na Balança dos Mundos, A Casa e a Família, Os Tempos e as Distâncias, Os Jogos da Vida, A Vida como um Jogo, foram os temas dos anos seguintes.

Em Novembro de 2017 realizaram-se as XX Jornadas Históricas de Seia, sempre com o mesmo sucesso. Vinte anos a refletir sobre a História. Quem diria que tal seria possível?

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