Opinião: A apanhar aviões!

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A grande prioridade estratégica de uma parte da nossa sociedade parece ser um aeroporto aqui perto. Desculpem-me a minha desafinação em relação a reivindicações “à grande” , mas faço parte de uma boa parte da sociedade que já paga impostos a mais.

É importante afirmar também que não gosto menos da nossa cidade e da nossa região Centro do que os mais ferozes reclamantes de infraestruturas aeroportuárias. Contento-me com menos, apesar de não me considerar pessoa com pouca ambição. Contento-me com uma rodovia decente entre duas das maiores cidades da região – Coimbra e Viseu – fundamental para a economia regional.

Viajo quanto baste , aliás, às vezes até demais, para saber que estar a 1 hora de um dos aeroportos e 1,5 horas de outro, significa que não precisamos de mais aeroportos. Precisamos sim de mais capacidade para fixar investimento seja nacional , seja estrangeiro, precisamos de articular políticas locais de turismo, precisamos de ordenar a floresta do Pinhal Interior, precisamos de valorizar o território, a nossa história , a nossa monumentalidade, a nossa natureza e precisamos de coisas simples.

Coisas simples, como ter as nossas cidades mais cuidadas, mais limpas, com os centros históricos mais dinâmicos, enfim, precisamos de foco. Arrisco mesmo, precisamos “descer à terra”. Não concebo que a “conversa” da região, ou melhor, de alguns dos protagonistas, seja a discussão de aeroporto em Cernache, aeroporto em Leiria, como se isso mudasse a nossa vida.

Esta energia “regional” colocada estrategicamente na articulação entre economia, turismo, autarquias, universidades, resolvendo problemas “mais pequenos” , desde logo a pensar nos nossos jovens e até menos jovens que gostariam de cá viver, mas não podem porque não há massa crítica empresarial, é que deveria ser o alvo de todas as discussões. Há uma expressão que se aplica às pessoas que não sabem bem definir prioridades que é “andar aos papéis”. Aqui, na região Centro, é mais “andar a apanhar aviões”.

Talvez seja politicamente incorreto dizer que não precisamos de aeroportos aqui, mas realmente deveríamos ter mais em que pensar. Ou , talvez não haja mais onde gastar dinheiro público. Com retorno. Aprendendo com os erros do passado, nomeadamente o mais recente que nos retirou autonomia e nos levou tantos postos de trabalho e tanta gente boa para fora daqui.

E que, apesar da bonança anunciada, continuam a não encontrar cá o seu espaço porque continuamos limitados como antes, na região, onde o tema central é a localização de um aeroporto que se algum dia existir ficará às moscas, como essa outra grande visão do tempo da fartura, localizada em Beja! Será que não é possível mudar isto? Será que não temos lideranças com capacidade de criar rupturas com esta forma tão raquiticamente visionária ?

2 Comments

  1. Henrique Costa says:

    Eu acho que o Sr. Eng. Paulo Júlio se está a contradizer um pouco. Na altura em que a maior parte do tráfego aéreo intra-europa é feito por empresas de baixo custo, cujo perfil não se enquadra nas altas taxas aeroportuárias dos aeroportos típicos, um aeroporto de baixo custo será como ginjas. Isso iria explodir o turismo na região centro que apesar de subir bem continua marginal. Por último o projecto do iParque, já quando foi feito assentava no pressuposto de haver um aeroporto em Cernache para permitir que multinacionais se instalassem. Se calhar não era tão megalómano. Mas é uma maneira de pensar típica do PSD corrente, pobrezinhos mas honrados, sem ideias directoras ou motivadores! Um deserto intelectual que o Costa está a aproveitar tão bem… e agradece!!!

    • António Castanheira says:

      A Galiza tem 3 aeroportos – Vigo, Santiago Compostela e Corunha – mais a sofisticada rede ferroviária. Alguém questiona a relevância dessas infraestruturas?

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