Opinião: Os animais e a política

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Diogo Cabrita

O tema da divisão de esquerda e direita centra-se hoje nesta fronteira do tratamento e do espaço dos animais na sociedade humana.

Um livro de 1975 inicia um polémico confronto de ideias ao colocar com muita clareza a noção de “capacidade de sofrimento dos animais” como algo que devia mudar a nossa ideia quanto a eles – Peter Singer “Animal Libaration”. Em 2001 nas revisões finais do seu “animal minds” Donald Griffin explica que há comportamentos para lá dos behavioristas de John Watson (baseado nas famosas experiências de Ivan Pavlov que hoje seriam impossíveis e bárbaras).

Os animais não seguem só instintos básicos e desejos primitivos, eles sofrem, eles afeiçoam-se e recordam factos sem relação com dor ou fome. Hoje há já divergências entre os defensores dos animais. Há os “animal rights” e os do “animal welfare”. A diferença é que os primeiros vão muito mais longe e pretendem a não utilização de animais na roupa, na comida, em circos, em qualquer processo de caça ou de contenção. A ideia “animal welfare” é quase uma ideia retrógrada para os primeiros pois fica pela moral dos princípios regulados pela Associação de Veterinários Americanos.

A discussão que leva à penalização do mau trato de animais com penas iguais ao mau trato de pessoas condiciona uma clivagem do nosso mundo com as culturas religiosas que é maior que qualquer muro físico. Para o Islão o cão é um animal impuro e raramente veremos um muçulmano ter um pet: “The Prophet (peace and blessings of Allaah be upon him) said: “The angels do not enter a house in which there is a dog.” Narrated by al-Bukhaari ( 3225 ) and Muslim ( 2106 )” copiado do https://islamqa.info/pt/

Hoje a esquerda, que entendemos aqui como o sector que definiria as vanguardas ideológicas, tem dificuldade em se posicionar sobre estes padrões. Estão em causa a experimentação em animais, a utilização de quintas para a procriação de animais, o modo como se produz o leite, a forma como se confinam animais em espaços, a presença de animais em espectáculos de circo ou tauromaquia.

A mera suposição de sofrimento levaria à criminalização. O cão na caça é um assunto à partida complexo pois envolve a caça e envolve o ensino do cão numa eventual violência. Diria que o PAN e André Silva, seu deputado, estão para a sociedade de hoje como esteve o Maio de 1968 para aquele tempo. Mas advertiria para o facto que as heresias que afirma o condenariam a decapitação num estado islâmico puro.

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