Opinião: Gastronomia e Turismo na Região de Coimbra

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Hélder Rodrigues

1. A importância da Gastronomia no Turismo actual

Nas viagens que ultimamente temos feito por Portugal e sobretudo por Espanha, temos tido a oportunidade de confirmar a importância que a gastronomia local está a desempenhar no Turismo dos nossos dias.

A gastronomia de um País ou de uma Região é um produto turístico de enorme importância na atracção e fixação de turistas, gerando receitas cada vez mais significativas. Muitas vezes bem superiores às das visitas aos bens patrimoniais

Os turistas numa visita de algumas horas a um local podem não gastar dinheiro em mais nada, mas em alimentação gastam-no com certeza. E se aquilo que comem os surpreende pela diferença, qualidade e serviço, ficam clientes e mensageiros fiéis, divulgadores eficazes entre amigos e conhecidos.

Para além da necessidade básica que a alimentação representa, os turistas de qualidade e sofisticação procuram experiências gastronómicas que liguem as visitas à cultura dos locais visitados, principalmente em Países menos conhecidos ou com fama de “se comer bem” como são os Países mediterrânicos, como é o nosso caso.

2. A gastronomia na Região de Coimbra e o Mondego

A gastronomia na Região de Coimbra é famosa pela sua riqueza, variedade e genuinidade. Fortemente ligada ao Mondego que a percorre e dá vida (a pessoas, animais e plantas) e ao mar que o acolhe com carinho.

O rio mais cantado de Portugal é assim o fio condutor, da Serra da Estrela à Foz, da cultura e da gastronomia da Região. Cabras e cabritos serranos, leitões, lampreias e enguias, sardinhas e caldeiradas, mas também couves, grelos, nabiças, míscaros, batatas, queijos e vinhos. A marca do Mondego está ali presente quer quando solitário corre para a Foz quer quando chegado finalmente ao mar o abraça eternamente.

3. Os pratos típicos e os locais que todos conhecemos

E lá estão os pratos típicos tradicionais e os locais a eles ligados, que são o seu cartão de visita e de boas vindas.

Toda a gente conhece em Arganil; o cozido, o bucho ou o cabrito à serrana. Em Cantanhede; a sopa gandareza, o leitão à Bairrada e o vinho divinal. Em Condeixa; o cabrito em forno de lenha. Na Figueira da Foz; a sardinha assada na brasa com pimentos, a caldeirada à pescador, a cataplana de marisco.

São famosos, em Góis; a chanfana e a tibornada de bacalhau. Na Lousã; as migas, a chanfana e o cabrito no forno. Em Mira; a sopa de peixe, a caldeirada e o pitau de raia. Em Miranda do Corvo; a sopa de casamento, a chanfana mirandesa, os negalhos e o sarrabulho.

Toda a gente já foi a Montemor-o-Velho comer; o arroz de lampreia, as enguias e o arroz de cabidela. A Oliveira do Hospital; os torresmos, o arroz de míscaros e a carne em vinha de alhos. A Penacova; a lampreia e o sarrabulho. À Pampilhosa da Serra: a couvada, os maranhos, o cabrito e o caldo de castanhas. A Penela; o queijo do Rabaçal e o borrego. A Soure; o arroz de pato e o coelho à caçador. A Tábua; o queijo da serra, a broa de milho e o vinho da Região. A Poiares; a chanfana e o arroz de bucho.

Muitas vezes sem grande Património edificado, os locais assentam a sua atracção turística na gastronomia e com isso dinamizam com sucesso as suas terras e as actividades económicas locais.

4. Hoje em Coimbra as coisas estão a mudar

Curiosamente, até há bem poucos anos, a cidade de Coimbra nunca desenvolveu, seguindo o exemplo da sua Região, uma gastronomia própria, genuína, diferente e de impacto para quem nos viesse visitar, nem uma rede de restaurantes de qualidade, dimensão e serviço indiscutíveis.

Hoje, felizmente as coisas em Coimbra estão a mudar! Na próxima crónica vamos saber como.

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