Opinião: Somos todos Portugueses?

Posted by

Francisco Queirós

Os incêndios deste ano atingiram também o concelho de Coimbra. Felizmente, não com as consequências dramáticas que assumiram noutras zonas do distrito e do país. Há algum tempo, visitei as zonas atingidas pelos fogos de Agosto na União de freguesias de Lamarosa e São Martinho de Árvore.

Percorri, com outros camaradas meus, as localidades de Vila Verde, Casais de Vera Cruz, Andorinha, Vale das Rosas, Ardazubre, Casal das Figueiras. Sobre o que constatámos dei conhecimento ao executivo da Câmara e já referi nesta mesma coluna. Podemos então constatar que o fundamental dos trabalhos de recuperação e limpeza das vias está por fazer, colocando em causa o cumprimento da legislação em vigor. Verificámos a falta de condições da estrada entre Vila Verde e Andorinha e a desadequação das bermas em várias vias da freguesia. Espera-se uma intervenção urgente e adequada.

Agricultores e produtores florestais afectados pelos incêndios de diferentes zonas do distrito de Coimbra reclamam pelos apoios que lhes estão prometidos e que serão essenciais para a sobrevivência das suas actividades económicas. A ADACO, Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra, e outras associações manifestaram-se no passado dia 28 em Coimbra reclamando precisamente por esses apoios.

Pela leitura dos jornais, somos informados que há agricultores e produtores florestais que declaram danos de valor substancialmente inferior aos reais para conseguirem um apoio do governo de modo mais rápido e simples. Uma das vítimas dos incêndios declarava que “há agricultores com dezenas e milhares de euros de prejuízos que só estão a presentar cinco mil euros porque querem qualquer coisa para começar”, dado que os prejuízos até esse montante se enquadram numa medida de apoio simplificado, enquanto que, para danos de valor superior, as ajudas emperram na burocracia e demoram tempos sem fim.

Os agricultores e produtores florestais apresentaram propostas concretas para serem ressarcidos dos seus prejuízos e acelerados os mecanismos de ajuda. O alargamento do prazo- limite para apresentação das ditas candidaturas “simplificadas” e também para as mais complexas e várias outras medidas de simplificação e de desburocratização de procedimentos.

Volvido pouco mais de um mês sobre os mais trágicos incêndios, ocorridos a 15 de Outubro, as promessas de apoio efectivo e adequado tardam. De fora das medidas preconizadas ficam muitos dos que não são agricultores profissionais mas que perderam as suas pequenas produções, complemento essencial das suas economias familiares.

O sector produtivo está ainda mais em risco e debilitado. O abandono das actividades no sector primário é encarado por muitos como inevitável. “Somos todos Portugueses”, lia-se nos cartazes empunhados pelos manifestantes. Somos, mas não parece.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.