Manifestação de técnicos de diagnóstico no 8º dia de uma greve que já afetou 100 mil utentes

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Foto – Carlos Jorge Monteiro/DB

Dezenas de técnicos de diagnóstico e terapêutica manifestaram-se esta manhã frente aos HUC, em Coimbra, ao fim de oito dias de greve que terão já afetado 100 mil utentes, segundo contas sindicais.

Tal como no hospital em Coimbra, os profissionais estiveram igualmente em protesto no São João (Porto) e no Santa Maria (Lisboa).

A greve decorre por tempo indeterminado e completa hoje oito dias, não sendo certo se vai prosseguir, esperando os sindicatos que promovem o protesto que o Ministério da Saúde se aproxime das reivindicações.

Segundo Luís Dupont, vice-presidente da direção do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, cerca de 100 mil utentes terão sido já afetados por esta greve.

Em consequência do protesto, exames, consultas e até cirurgias programadas têm sido adiadas.

Fernando Zorro, da direção do sindicato, referiu que o impacto desta greve só não é maior porque os profissionais alargaram o âmbito dos serviços mínimos, tendo em conta a realização da Web Summit em Lisboa.

“Não queremos que a imagem do país fique lesada e por isso reforçámos os serviços mínimos em matéria de recolha de sangue”, adiantou.

Para os dois sindicalistas, é flagrante “a falta de respeito do Governo perante os utentes”.

“Não aceitamos que o Ministério da Saúde envie propostas a outros profissionais – como os médicos e enfermeiros – e aos técnicos de diagnóstico tenha definido o mês de setembro como data limite para apresentar uma proposta, sem que o tenha feito”, disse Fernando Zorro.

Dina Carvalho, secretária-geral do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (SINDIT), sublinhou que os sindicatos se disponibilizaram para começar a discutir questões que nem sequer têm impacto orçamental.

“Conhecemos a situação do país e por isso mesmo mostrámo-nos disponíveis para avançar com estas questões”, disse.

Ao longo destes oito dias de greve, o Ministério da Saúde terá contactado o sindicato e explicado que está a trabalhar com as Finanças na elaboração de uma proposta, disse Luís Dupont.

Sobre a continuidade desta greve, marcada por tempo indeterminado, o sindicalista alertou para o impacto financeiro que a mesma representa no vencimento dos profissionais, o qual não os demove.

Ainda assim, mostrou esperança que, até ao final da semana, o Ministério da Saúde desbloqueie as negociações e, desta forma, evite mais greves no setor.

O sindicato acusa a tutela de continuar “sem corrigir a assimetria constituída com o tratamento de favor dos nutricionistas”.

Estes profissionais, apesar de terem uma formação igual à dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, recebem mais 600 euros.

Para o sindicato, “o Ministério da Saúde continua sem corrigir as assimetrias profundas das carreiras na saúde, agravando as desigualdades”.

“O Ministério da Saúde, ao não cumprir os acordos de novembro de 2016 e junho de 2017, nomeadamente em matérias que não têm incidência financeira no Orçamento de Estado, está a desrespeitar-nos enquanto profissionais de saúde altamente qualificados”, refere o sindicato.

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