Opinião: Paroles

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Daniel Santos

Quem, da minha geração se não recorda daquelas canções dos idos anos sessenta e setenta, com letras lamechas e músicas fáceis, consequência do estado de alma, quase um torpor generalizado que, no mundo ocidental, se sucedeu ao período da segunda guerra mundial?

Do tempo dos hyppies, do baby boom? Musicas e refrãos que entravam nos ouvidos e teimavam em não sair e que cá ficaram tão gravadas como as orações aprendidas na catequese ou o hino nacional. Autênticas mantras que ainda hoje emergem do subconsciente em momentos de espírito vago e vazio.

“Palavras, palavras, palavras. Escuta-me! Palavras, palavras, palavras. Eu te peço! Palavras, palavras, palavras Eu te juro! Palavras, ainda palavras, que tu semeias ao vento…” são versos de uma dessas canções da Dalida, um dos ídolos daqueles tempos que me assaltam o espírito quando leio as promessas que, de quatro em quatro anos, emergem no período eleitoral.

Em 2005, uma das candidaturas jurava a pés juntos: “Eu cumpro”. Pois! Em 2009 e em 2013, a candidatura vencedora não colocou a expressão nos seus lemas de campanha mas fartou-se de prometer que cumpria. Pois!

Na campanha em curso, o mesmo candidato, que não cumpriu promessas de que ninguém se esquece, elenca (a seu modo, evidentemente) as promessas que terá cumprido. Poderia juntar uma lista das que não cumpriu, o que seria um nobre ato de humildade. Volta-me ao consciente as palavras da canção: paroles, paroles, paroles…

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