Condeixa, Sibila e ser cúmplice

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Joaquim Norberto Pires

Condeixa – Na quarta-feira passada terminou uma tarefa que me deu muito prazer realizar: ser Vereador da Câmara Municipal de Condeixa. Termina assim a minha primeira experiência autárquica, numa vila que fica no meu coração. A todos os colaboraram comigo, numa tarefa muito complexa que é ser vereador da oposição, deixo o meu agradecimento. Gostei muito de trabalhar com todos os elementos do executivo, nomeadamente o Presidente Nuno Moita, o vereador Fernando Pita e todos os outros vereadores. Fiz muitos amigos e considero que fiz um bom trabalho. Condeixa é uma vila que merece uma oposição informada, aguerrida e feita pela positiva, para poder vir a conquistar a câmara municipal que está nas mãos do mesmo partido desde o 25 de Abril. É minha convicção que esse projeto de oposição só é possível fora dos partidos políticos, num movimento que seja capaz de juntar pessoas de várias sensibilidades, competências e disponibilidades numa iniciativa agregadora que possa merecer a confiança dos condeixenses. Durante este meu percurso em Condeixa muitos se afastaram, fruto da necessidade de ser fiel ao que sempre defendi. Nenhum me surpreendeu, pelo que nada lamento. Aos que ficaram e me privilegiaram com a sua amizade e dedicação prometo-lhes que nunca me esquecerei. Por fim, recordo a amizade e cumplicidade que tive com um grande Presidente da Câmara de Condeixa: Jorge Bento. Recordo-o com saudade pois foi um político digno, empenhado e profundamente dedicado a Condeixa, cuja memória merecerá para sempre o meu mais profundo respeito e admiração.

Sibila – A escritora Inês Pedrosa criou uma editora, denominada Sibila* Publicações, dedicada, por opção e direção estratégica editorial, às mulheres romancistas e ensaístas. A editora, que a autora compara à editora “The Hogarth Press”, sem se querer comparar ela própria a Virgínia Woolf, tem o marido como responsável pelo grafismo e comercialização e ela própria como editora, deixando tudo o resto para subcontratação.
Tenho algumas perguntas:
1 ) A Comissão de Igualdade de género, sob orientação do ministro adjunto, não tem nada a dizer? Ou o problema foram somente uns livrinhos azuis e cor-de-rosa da Porto Editora?
2 ) A CGI vai fazer alguma recomendação sobre este negócio lançado pela Inês Pedrosa, tendo por base a discriminação da igualdade de género? O que aparecerá a seguir? Um canal de televisão só para mulheres? Uma estação de rádio só para mulheres? Espaços nos transportes públicos dedicados a mulheres? Ah! Espera, a candidata dos “Nós Cidadãos” em Lisboa, Joana Amaral Dias, já fez essa proposta. LOL.
3 ) Todo este ruído sobre a igualdade de género, isto é, a ideia de criar alarme social gerando um certo happening, teve como objetivo VIABILIZAR certos tipos de negócios? Isto é, estas senhoras andam na comunicação social a inflacionar estes temas para depois lançarem negócios por conta própria? É essa a ideia? Ou há uma preocupação genuína pelos problemas reais de desiguldade e discriminação de género?
Repito: A CGI, sob a orientação do Ministro Adjunto, vai recomendar alguma coisa à Sibila Publicações? Ou a Inês Pedrosa, ao contrário das pessoas da Porto Editora, que tantos serviços relevantes prestaram ao país, é uma pessoa de uma CASTA SUPERIOR?
Nota, até de algum humor, sobre o nome da editora: Sibilas são personagens da mitologia greco-romana, descritas como sendo mulheres que possuíam poderes proféticos sob inspiração de APOLO (sem querer fazer comparações, a CGI trabalha sobre orientação do Ministro Adjunto). Vários pintores representaram Sibilas: como Rafael, na Capela Chigi, Michelangelo, na Capela Sistina e Francesco Ubertini. Gosto particularmente de duas Sibilas: a Sibyl, um quadro de Francesco Ubertini, e Prisca, a sibila Eritreia, de Michelangelo, pintada na Capela Sistina.

Recomendação: vá votar, não fique em casa. Escolha. Não se esqueça que quem não vota, não é depois vítima de políticos sem propósito, populistas ou corruptos, é cúmplice.

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