O custo das oportunidades

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Diogo Cabrita

As decisões arrastam dois custos, o que fica em alternativa por fazer e o resultado do que se realizou – que deve sempre ser avaliado. Em Coimbra o Hospital Pediátrico antigo e abandonado no meio da cidade há vários anos envergonha muita gente. Porquê? Para quem? O custo desta opção tem de se descontar à concretização do novo, que falta avaliar, após manterem-se inúmeros espaços semi ocupados.
Em Coimbra a persistência de uma Penitenciária no coração da cidade é também algo a avaliar e contabilizar. O terreno nobre do ex-pediátrico e da penitenciária faz já quilómetros de centralidade perdida. Agora vem a decisão de fundir as maternidades e meterem-nas num espaço nos HUC. A Maternidade Bissaia Barreto acrescenta mais umas centenas de metros quadrados a esta zona que devia ser entregue à solução privada e aos munícipes. Falemos agora dos quartéis devolutos que existem espalhados pela cidade. Aliás o que fazem aquartelamentos dentro de cidades? A quem pertencem? Estão na mão da Parvalorem? A quem compete esta gestão? São milhares de metros quadrados devolutos.
Além destas questões públicas há as fabricas abandonadas e falidas, os prédios em decomposição rápida. Coimbra carece de uma política e de um Presidente que tenha arrojo e enfrente estas questões no futuro. Atrair investimento para devolver à cidade todos estes territórios (independente do seu valor histórico) é uma urgência. Resolver os territórios do abandono numa legislatura seria complexo porque de muitos falei em 1998 e continuam como estavam.
Defendo há décadas permutas e ajustes para a resolução. O rio é uma directiva para Coimbra mas para dar força ao rio na margem esquerda há que retirar equipamentos como os autocarros e o estádio universitário. A Universidade deve criar uma política de cultura desportiva e se calhar aproveitar esta oportunidade para construir um novo Estádio Universitário e devolver a Coimbra o espaço junto ao rio. Redesenhar a cidade e melhorar a sua centralidade trazendo gente à baixa e locais de estacionamento para que as pessoas lá queiram ir. Sem estacionamentos não há negócios.

2 Comments

  1. Curruptus Orelhudus says:

    Muito bem analisado! Um desses espaços devia ser destinado para um festival permanente de Rocky Billy!

  2. David Dias Pinheiro says:

    Admiro o Dr. pela sua análise e independente.

    Tem plena razão no que escreve, aquela Coimbra que amamos está perdida á décadas.

    É lamentável.

    Pode ser que num dia de nevoeiro venha um qualquer D. Sebastião.

    Abraço!

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