A ver vamos

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Luís Santarino

Muitos amigos, dos verdadeiros, me perguntaram onde é que iria arranjar carateres para “encher” a minha crónica semanal, tendo eu o dever de escrever sobre os outros atores que se pretendem candidatar à “cadeira de sonho” de Coimbra. Disse-lhes para não se preocuparem, dado que apenas a candidatura independente me iria dar “algum trabalho”. Acho que ainda ninguém percebeu a que se destina – eu percebo que é para tentar ganhar as eleições – mas na verdade os eleitores que, aqui singelamente represento, ainda não.

As outras, das que se fala, não têm nenhuma novidade digna de registo. A não ser a transferência de Gouveia Monteiro da CDU para o BE. Mas até essa transferência tem pouco de interessante, a não ser a de tentar uma aliança, tipo Vodka/Laranja, que não sei como se deveria apelidar; talvez “estrelinha caia cai”, ou mesmo “estrela incandescente”!
É que a aliança Vodka/Laranja, agora Vodka/ ”Qualquer Coisa Rosa”, estará sempre mais ao dispor da CDU, porque já tem “treino, história e experiência acumulada”.
A candidatura que na realidade suscita algum interesse, até agora não muito, é a figura do ex-Bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva.
Em primeiro lugar, porque arrancou decidido a um bom resultado, confiando no desgaste dos partidos tradicionais; em segundo lugar, porque está rodeado de muitos cidadãos que reputo de elevada qualidade profissional e ética; e em terceiro lugar, porque ainda quero ver, a campanha eleitoral que vão desenvolver até ao dia 1 de Outubro.
Seria uma grande desilusão se esta candidatura se tornasse num vazio, sem ideias, sem estratégia, titubeante.
Ao que me é dado observar, o candidato tem feito o trabalho de formiguinha, sem visibilidade aparente com capacidade de mobilizar os cidadãos para o apoio ao seu projeto autárquico. É que não basta querer ser candidato a uma autarquia. Isso qualquer um poderia ser, bastando-lhe angariar assinaturas. É preciso saber passar uma mensagem, uma mensagem nova, talvez de esperança, isto, se as pessoas já a tiverem perdido.
Poderá no limite pensar, que poderá fazer um bom resultado e com ele, limitar o poder tradicional e obrigá-lo a negociar alternativas. Se é só para isso, mais valia ficar quieto! Já lá existem outros para o mesmo desígnio.
Poderá também servir para condicionar escolhas. É que, se as listas dos partidos alternativos forem constituídas por pessoas de reconhecida qualidade pessoal e profissional, as escolhas dos partidos tradicionais serão mais limitadas. As nomenclaturas partidárias, ou seja, os “habitués”, perdem poder porque já não conseguem condicionar pensamento e votos.
Seja por que razão, ou razões surgiu a candidatura, a verdade é que trouxe um ar mais respirável, mais límpido e transparente às eleições autárquicas.

 

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