Opinião: Em nome dos seus

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Manuel Rocha

O Concelho de Coimbra é quem cá mora, quem cá passa, quem aqui há de nascer. E os rios e as ribeiras, as estradas e os caminhos, as paredes-do-novo encavalitadas nos velhos muros, as memórias dos viveres, as vontades do que há de ser.

Quando a vinte e tantos de Abril de 1974 se hasteou, no velho edifício da Praça 8 de Maio, a bandeira da democracia, Coimbra passou a ser de quem elege e é eleito.

Mais antiga, porém, do que a qualidade dos que votam – e por igual essencial – é a qualidade dos que refletem e reivindicam: o Centro de Saúde, a Junta, a Escola, a estrada, a água, o cemitério, o jardim, os baloiços das crianças, o Centro de Dia, a carreira de autocarro, o posto de trabalho, o salário, o contrato (como nestes dias os bolseiros-investigadores).

Diz a velha canção brasileira que “vem, vamos embora / que esperar não é saber / quem sabe faz a hora / não espera acontecer”, e diz bem. E se a democracia não é, nem pode ser, depositar o voto na urna e recolher a casa à espera que aconteça, também não é (nem pode ser) receber o voto sem responder perante quem votou.

Como está a aproximar-se o tempo das promessas todas – e do branqueamento dos tropeções – há que dizer que a política (a boa, já que a má é só engano) é uma disciplina da luta e não o seu contrário. É por isso que os deputados municipais da CDU reivindicaram, neste como nos anteriores mandatos, mais dinheiro para as Freguesias, contrariando, com a intervenção e o voto, centralismos de relegar as Juntas de Freguesia para o papel de meros prestadores de serviços.

Quem assume funções nas Juntas de Freguesia merece, porque os eleitores o merecem, respeito democrático e recursos que permitam a concretização dos programas sufragados.

Em quatro anos que durou o atual mandato, foi necessário fazer frente às políticas de destruição do regime democrático, tentadas (ou continuadas do que já vinha de trás) pelo governo PSD/CDS, entre agregações hospitalares e encerramento de serviços (no Sobral Cid, no Pediátrico, entre outros), agregação (extinção) das Freguesias, desinvestimento nos SMTUC e privatização de carreiras, leis de arrendamento (de despejo), folhetins de Metro Mondego, estrangulamento do Poder Local democrático, privatização da água pública e demais medidas de desconfiguração do regime democrático.

Contrariadas algumas daquelas medidas, a partir das urnas e das lutas que as precederam, mais urgente se torna reconstituir os serviços públicos tal como deles precisamos. E, para isso, é preciso eleger mais candidatos da CDU – trata-se de desagregar os CHUC, para que haja respostas diferenciadas e de qualidade para a saúde dos nossos, restabelecer as Freguesias onde o povo as considere precisas, melhorar o panorama ambiental do Concelho, repor os carris no Ramal, encorajar a pequena e média empresa e a indústria, investir nos SMTUC, promover o acesso à Cultura, recusar a municipalização naquilo que tal possa significar empobrecimento (na Educação, na Cultura, na Saúde).

Onde uns anseiam o protagonismo para as “elites” a CDU compromete-se em ampliar as vozes do seu povo – por serem as das razões de quem vive, viveu ou quer viver do rendimento da sua força de trabalho. É o mais honroso dos encargos.

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