Passos admite mortes causadas por “problemas evidentes de comunicação” em Pedrógão Grande

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O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou hoje que “problemas evidentes de comunicação” poderão explicar a morte de dezenas de pessoas durante o incêndio de Pedrógão Grande.

“As pessoas estavam a fugir porque se viram desoladas” e algumas “foram encaminhadas para uma situação que se revelou fatal”, declarou Passos Coelho aos jornalistas, no final de uma visita ao quartel dos Bombeiros Voluntários da Castanheira de Pera.

Questionado sobre explicações para as presumíveis falhas do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), no primeiro dia do incêndio florestal que eclodiu naquele concelho do distrito de Leiria, afirmou não querer “poupar esse papel” ao Governo.

“O país precisa de uma explicação cabal para aquilo que se passou”, no dia 17 de junho, “para que as pessoas reganhem confiança no próprio Estado”, defendeu o presidente do PSD, frisando que “o Estado falhou e ainda está a falhar”.

Segundo Passos Coelho, o PSD “não aparecerá a pedir a demissão” da ministra da Administração Interna ou de outros membros do Governo, mas “não deixará de fazer a imputação de responsabilidades” de natureza política.

Importa, na sua opinião, que os cidadãos “recuperem a confiança no Estado”, depois de “uma tragédia como nunca aconteceu” em Portugal.

Pedro Passos Coelho exigiu ainda do Governo a aprovação de medidas que visem indemnizar as famílias das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande que morreram ou ficaram feridas em espaços públicos.

2 Comments

  1. Zé da Gândara says:

    Curiosa a preocupação deste senhor com a "recuperação da confiança no Estado" 🙂 Eu que até tinha alguma, perdi-a depois da ascensão ao trono e das diatribes subsequentes deste senhor enquanto esteve ao leme da nau tuga… Será este um exemplo de evangelização política junto dos indígenas politicamente bárbaros e rudes a necessitarem de civilização?

  2. Poortugues says:

    Parece-me que "problemas evidentes de comunicação" existem no partido deste senhor, onde até já suicídios inventam.

    Em relação aos acontecimentos do fatídico sábado, só quem não quer ver é que não percebe que ocorreu naquela zona algum fenómeno meteorológico extremo que difundiu o fogo de tal maneira rápida e imprevisível que era impossível escapar.

    Vejam os testemunhos das pessoas que falam em "chuva de fogo", "tufões de fogo", e expressões semelhantes. Os eucaliptos podem ter tido um papel "importante" nos cinco dias que o fogo demorou a ser combatido mas não foram os culpados daquelas fatídicas horas.

    E para quem ainda fala que a estrada deveria estar fechada, não conhecem de certeza o país. As estradas nacionais têm dezenas de entroncamentos em espaços de poucos quilómetros, são impossíveis de fechar completamente nestas situações. Além disso, muitas das pessoas que morreram estavam a fugir das suas casas, logo o fecho da estrada não ia mudar nada. Alias, ía, estaríamos agora a chorar a morte de mais não sei quantos agentes da GNR que estavam lá no meio também. E, factor mais importante, a estrada não estaria fechada pela imprevisibilidade dos ventos e porque, até então, seria completamente segura.

    Como nota final, reforço que, para mim, foi um caso excepcional, por força da natureza e, não fosse a podridão da política em Portugal, não se estariam a tentar tirar agora todos estes dividendos políticos da tragédia.

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