Opinião – Escolhas redondas

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Diogo Cabrita

Coimbra preza um sistema de nomeações redondas. São escolhas de bolas para lugares chaves. Mas o que é isso? perguntarão alguns. Escolher quem não tem ponta por onde se lhe pegue é uma opção bilharista. A bola de bilhar é densa e dura e pode chegar a ser agressiva se mandada ao ar. Também podemos perfilar uma bola de basquete. Uma grande cabeça oca para comandar uma instituição. Estas decisões surgem do maior inimigo da democracia e da evolução: o consenso. O grupo de alternativas senta-se, medita e depois de intensa contagem de espingardas e ainda de uma assertiva escolha pela não agressão, vai em busca da bola de volley. O (a) tipo (a) tem de ser controlável, anuir a pressões, ser vulnerável a aconchegos e sugestões, aberto a trocas e a empurrões. O ideal é ter um percurso pantanoso, de insucessos e de estrondosos erros. Assim temos sempre na mão as cordas para o retirar se não cumprir. Um companheiro de jornada apoia os seus acólitos e dá-lhes a mão. As escolhas devem agradar ao poder e se possível calar a oposição. Repare-se como algumas pessoas conseguem silêncios em torno de si. Hoje não posso colocar nomes porque seria difamatório, mas estejam atentos aos que vão ocupando determinados postos e verão como se arrumam as casas e os poderes. O pior que podemos construir é uma casa com um comando redondo, com uma estratégia invisível, onde a oposição se prepara para receber da gamela do poder. As cabeças redondas dão de comer a todos. O mal deste caminho é torcer as decisões, enrugar a escrita e portanto fazer caminho aos soluços e aqui e ali aos espirros. Está tudo bem no final, não se gosta, mas sai sempre um “santinho”! Aberto o saco das bolas há que lhes dar balizas.
É a dança das cadeiras vazias e dos lugares desejados. Ela começou com a certeza de que este poder não muda já. Força camaradas! Bem-vindos ao poder, outra vez!

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