Opinião – Ai do Mar

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Teotónio Cavaco

 

Decidi um destes dias voltar ao Ai do Mar, espaço gastronómico outrora de eleição, conhecido nacional e internacionalmente pela especificidade da sua cozinha e que lhe rendeu alguns títulos, como o rei dos Restaurantes de Portugal, a cozinha da claridade, ou o melhor para quem tem crianças.
Frequentado sobretudo nos meses de verão por inúmeros turistas portugueses e estrangeiros, é um local naturalmente aprazível quer para quem lá vai ocasionalmente, quer para os que lá comem diariamente.
O Ai Do Mar passou nas últimas décadas por fases de indefinição ou ausência de desígnio e de consequente estratégia, mas também por sucessivas remodelações e alterações de gerência que o foram descaracterizando e colocando à mercê da concorrência cada vez mais agressiva de outros Restaurantes do País e do Mundo.
Fiquei surpreendido pela quantidade de posters que, lá dentro, o anunciavam como Da Posta. Da Pista. Do Barco. Do Amor. Do Búzio. Da Dobrada. Do Visconde. Do Pajem. Da Comunicação. Do Sotaque. Do Coreto. Da Aaldeia. Da Promessa. Da Adiada…
Inquieto, perguntei pelo dono, mas veio o Mestre de Cerimónias explicar que o que se pretendia com este caro aparato era mostrar que o espaço está agora preparado para, finalmente, ser global e atrair todos todo o ano – “ainda que a ementa não seja muito explícita, pelo menos fomenta a reação no facebook…”, gracejou.
Tudo relacionei quando, já na rua, me gritaram: “É primo, logo à noite estão cá os Àtoa!”…

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