O Bando apresenta “Inferno” no palco do Convento São Francisco

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O teatro é também, muitas vezes, “uma espécie de âncora” onde é possível encontrar a “sobrevivência” à tragédia, a todas as tragédias, as que convocam o coletivo, mas também as mais íntimas, pessoais, mas nem por isso menos significativas. Quem o diz é João Brites, nome grande do teatro português, a marcar com a sua “máquina de cena” a produção artística nacional em toda a nossa história democrática. João Brites e O Bando, estão de regresso a Coimbra, onde apresentam este sábado, às 21H30, no Convento São Francisco, a peça “A Divina Comédia – Inferno”.

Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, o fundador e diretor do Teatro O Bando deixou um apelo ao público da cidade, muito e “dedicado” à estética particular da companhia desde os tempos da BUC (Bienal Universitária de Coimbra): “Esta é uma oportunidade única” para ver este espetáculo, que estreou em Lisboa, passou pelo Porto e chega agora a Coimbra, sendo que “muito dificilmente” estará de volta. Como oportunidade única, importa não a perder.

Até porque, em palco, para além do texto imortal do florentino Dante Alighieri [1265-1321], transfigurado pela dramaturgia de João Brites e pela máquina cénica do Teatro o Bando, estará um grupo formado por uma vintena de atrizes e atores que, chegados de realidades artísticas, profissionais e geracionais muito diversas, conseguiu concretizar um “encontro” que, para João Brites, é um “privilégio” alcançar e partilhar com o público.

Porque o teatro e a arte significam também alguma da “redenção” possível e de que todos necessitamos, sobretudo quando a vida nos ultrapassa nas tragédias que, hoje, são tantas, cá dentro e lá fora, e tão maiores que qualquer “inferno”, João Brites reconhece-se um homem “feliz” por poder “colaborar na construção da relação humana”, aquela que nos permite “estarmos mais próximos uns dos outros”.

Por isso, o artista acredita que, apesar de tudo, de todas as tragédias e de todos os infernos, “caminhamos na direção de uma coisa melhor, com momentos, palavras”. Os mesmos momentos e as mesmas palavras que fazem do teatro o que ele é.

Para 2019, de acordo com o projeto traçado nesta primeira estação de “A Divina Comédia” – “Inferno” –, mas também com a cumplicidade de entidades como os teatros nacionais e o Convento São Francisco, através da Câmara Municipal de Coimbra, João Brites promete um “Purgatório” todo construído em Coimbra e levado à cena com artistas da cidade e da região, que irão juntar-se aos seis atores que a tempo inteiro fazem O Bando.

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