Opinião: Na morte de António dos Santos Silva

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António Augusto Menano

 

Faleceu, esta semana, um amigo, meu e de todos os que tiveram o privilégio de com ele ter privar. De seu nome, António dos Santos Silva, engenheiro, contista, poeta, narrador, homem de afectos, publicou muitos livros, amou muito sua mulher Amália. Musa inspiradora de “Poemas para ti”, presente de amor editado em 2009. Em 1988, enviei-lhe, de Macau, o prefácio para” Poemas do fim do dia”. Nele, citei Santo Agostinho, quando se interroga sobre o significado do tempo. “… Se não mo perguntarem, sei o que é. Se me perguntarem, ignoro”.

A obra de Santos Silva tem tudo a ver com o tempo, a sua matriz. Trata da vida, da sua, família, dos seus amigos, das suas vivências, As suas personagens convivem connosco, os seus poemas falam-nos à emoção. O obreiro, enquanto director dos Serviços Municipalizados, do fornecimento de água a quase todo o concelho, o amante de Beethoven, o “discípulo” de S. Francisco, o devoto de Santo António.

O homem bom terminou a sua viagem sempre preocupado com os outros. O crente que nos revelava um conflito entre o modelo e o código, a experiência e a rotina, morreu serenamente. Diria solitariamente. Talvez meditando entre os acasos e as mais profundas certezas.

 

 

 

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