Opinião: A força de estar com as populações

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Francisco Queirós

Fez agora um ano. Em finais de Abril de 2016, as trabalhadoras da Santix exigiram salários e subsídios em atraso, concentrando-se à porta da fábrica, depois de terem sido informadas que entravam de férias forçadas. Então ainda não tinham recebido o mês de Março, a empresa devia-lhes o subsídio de férias de 2014 e o acordo de pagamento mensal de 50 euros, para abater à dívida de cerca de 3 mil euros para com cada trabalhador, deixara de ser cumprido.
Estive então à porta da Santix, no Picoto dos Barbados, Vale de Canas, em Coimbra, com outros meus camaradas, ouvindo as trabalhadoras, expressando-lhes solidariedade. “Mandaram-nos para férias sem dinheiro e para quê?”, questionou uma das dezenas de mulheres concentradas à porta da fábrica, depois de impedidas de entrar nas instalações. Mais tarde levei o drama das operárias a reunião de Câmara. Registei então nesta coluna de jornal: “Joana conta a sua história. Há mais de vinte anos que trabalha ali. Agora não se percebe bem quem são os patrões. A fábrica fundada em 1900 por Santiago Allo Alvarez, a Santix Indústria de Confecções SA, especializada em confecção clássica para homem, terá acordado na cedência de instalações e pessoal a outra empresa, a Insieme. “São estes que nos pagam. Ou melhor, não pagam…”, esclarece outra mulher e já Susana comunica que “trabalho é coisa que não falta”. Luísa revela que passa fome. Sem o salário de 500 euros não sobrevive. “Como pagar a água, a luz, sustentar o filho, comprar comida?” Há muitas que moram longe. “Não ganhamos para o transporte.” Uma vem de Penacova, outra de Poiares, outra de Montemor. “Tratam-nos como se fossemos bichos. Nem uma palavra de satisfação. E quando quisemos entrar para trabalhar ainda nos insultaram e empurraram.” “Só queremos o que é nosso! O salário é pouco, mas sem ele…” “E se a fábrica fecha, o que vou fazer? Trabalho aqui há 35 anos! Se for para o desemprego não sirvo para mais nada… ” “Veja lá que nos disseram que se não há dinheiro para salários a culpa é nossa!”, indigna-se uma das trabalhadoras mais antigas. “A culpa é sempre de quem é mais fraco.” Assim juntas são uma força imensa. “Se não lutarmos é que perdemos de certeza…” dita uma das mais novas. “Férias, se ainda me recordo, são na praia. E dinheiro?” Estão concentradas à porta da empresa. Querem trabalhar. Querem receber o que lhes é devido. Há apenas dois homens entre este rancho de mulheres. À pergunta sobre se há mais homens na fábrica, responde Inês. “Haver há. Mas poucos. E sabe…as mulheres é que lutam!” “Ah, mulheres de um raio!”.
Foi há um ano. Na passada terça-feira, à hora de almoço, uma jovem mulher veio ter comigo. Reconheci-lhe o rosto, sem conseguir situá-la. Estava extremamente feliz. “Sabe, amanhã recomeçamos a trabalhar! Quero agradecer tudo que fizeram por nós!” Identifiquei-a! Era a Joana da Santix, nome fictício de uma história real! “Só vocês, da CDU, estiveram sempre do nosso lado. Obrigada!”. Registei.
Dias antes, ouvira o mesmo a uma idosa em São João do Campo, a propósito da nossa intervenção solidária na luta do povo da vila em defesa da extensão do centro de saúde. “ Os outros aparecem nas eleições, mas quando o povo precisa…vê-se quem cá está”. Estivemos. Estamos e estaremos. Mas se lição há a reter é a de que vale a pena lutar pelo que é justo!

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