Opinião: Desinvestimento no comboio

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Rui Curado da Silva

 

O descarrilamento do comboio de mercadorias recentemente ocorrido na Linha do Norte mostrou a fragilidade da nossa rede ferroviária, particularmente mostrou o resultado do desinvestimento no comboio dos últimos governos, em grande medida incentivados pela intervenção da troika no nosso país.

A nossa rede ferroviária oferece poucas alternativas viáveis à Linha do Norte, que se tornaram ainda mais limitadas após o encerramento da linha Figueira-Pampilhosa. Uma das alternativas possíveis a alguma circulação ferroviária afetada pelo recente acidente do comboio de mercadorias, poderia ter passado justamente pela linha Pampilhosa – Figueira através da ligação à linha do Oeste ou à Linha do Norte em Alfarelos. Poderia, mas não pode, está fechada.

A ausência de uma estratégia regional de transportes só contribui para piorar este cenário. Apesar das boas intenções da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra ao defender a reabertura da linha entre Pampilhosa e Figueira, os respetivos autarcas pouco têm feito para fomentar os transportes públicos nas respetivas cidades, entre as cidades do próprio distrito e entre o distrito de Coimbra e Lisboa.

Já aqui repeti como o absurdo dos horários matinais tardios dos comboios que nos ligam à capital parecem não incomodar os executivos locais. Como confiar na real convicção dos atuais autarcas locais para mudar este cenário?

 

2 Comments

  1. Miguel Santos says:

    Mesmo que o ramal da Figueira da Foz estivesse aberto, os comboios nunca iriam circular por lá.
    Quanto muito alguns mercadorias para as fábricas do Louriçal. Mas somente esses.

    De passageiros nem pensar. Nesse ramal de 50km só existia a estação de Cantanhede.
    O percurso demorava mais de 90 minutos a fazer. Entre Fontela e Alfarelos só existe a estação de Verride para cruzamentos e existem vários urbanos a cruzarem lá. Ainda a contar com os tempos de inversão na Pampilhosa, Figueira da Foz e Alfarelos. Portanto um Intercidades a fazer Pampilhosa – Figueira da Foz – Alfarelos, nunca demoraria menos de 3 horas nesse percurso.

    O ramal da Figueira da Foz sempre foi inútil e nunca fez sentido a sua existência. Tanto que os autarcas reconhecem a sua inutilidade. Se não contarmos com a povoação de Cantanhede, os restantes apeadeiros ficam no meio do nada.

    O troço Figueira da Foz a Verride é que precisa de ser modernizado.

  2. Zé da Gândara says:

    O que nasceu torto tarde ou nunca se endireitará… A meu ver o que deveria ser feito era uma interligação da linha do Oeste ao porto de Aveiro e daí à linha do Norte com um novo troço ferroviário a atravessar toda a Gândara… O resto parece-me pouco viável e parece-me continuar a insistir no erro crasso que foi feito há mais de um século quando, por imposição de Coimbra (que não queria comboio, ao que parece) se teve de desenhar uma solução inimiga do óptimo para não ofender os cidadãos de Coimbra e o seu pedigree…

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