Opinião: Desconfiemos das novas argúcias

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António Augusto Menano

 

Os defensores das teorias da conspiração acreditavam que nenhum astronauta alunara e que as imagens da descida na Lua tinham sido filmadas em estúdios situados na Califórnia. Em seu abono salientavam a imobilidade da bandeira norte-americana, sombras impossíveis de existirem na Lua, e outros itens que não recordo. Alguns, da mesma família de imaginativos e cépticos defenderam ter sido o Governo estadunidense quem colocara bombas na torre, no 11 de Setembro.

Todos sabemos que acreditamos no que desejamos, e são diferentes as visões das aparições. O homem primitivo desenhou animais, cenas variadas e outras realidades por ele vistas, nos tetos de cavernas: nasceu o simbólico, a inteligência despontou. Mas no continente norte-americano um povo desaparecido também figurou imagens de difícil explicação, seres com cabeças que parecem ter capacetes espaciais, e em grutas do deserto do Sahara foram pintados seres estranhos.

Como acreditar no que nos dizem, nesta época mais de virtualidades mentirosas, tão bem” inventadas“ que parecem puras verdades? Já Erasmo de Roterdão, no “Elogio da loucura”, dizia haver poucos ou nenhuns “sapientes”, e que na Grácia “…durante tantos séculos, não teve mais do que sete… se examinássemos bem, encontraríamos apenas metade, ou um terço, de sapientes”. A insuficiência de conhecimentos cresce, embora avulte a informação A ignorância cultiva-se de muitos modos. As argúcias já não são teológicas, sim tecnológicas. Desconfiemos delas.

 

 

 

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