Opinião – Candidatura à Câmara -IV – Viagem pelos arredores

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Norberto Canha

 

Desta vez, não fui de autocarro mas em viatura própria, que já tem 37 anos, dado que era sábado à tarde, pós hora de almoço, e havia menos transportes públicos, e tinha outras companhias.
Estava tudo verdejante.
As laranjas, caídas das laranjeiras no chão, envoltas em ervas. As oliveiras mergulhadas em silvas e ervas.
Não se via uma horta, muito menos uma terra lavrada.
As casas (moradias) apresentavam-se de roupagens, se não novas, pelo menos lavadas.
Não se via nas aldeias gente para nos dar informações de onde estávamos e como ir para onde queríamos. As mais atentas e numerosas eram as pessoas de idade.
Interroguei-me: Como é possível haver tanto pedinte nas cidades e tanta insegurança, que leva a assaltos frequentes e intimidação, não só de dia, mas sobretudo à noite? Ao receio de assalto ou intimidação se não se corresponder a um pedido de dação de 5 euros para comer uma sopa?
Será que há cada vez mais aversão à agricultura e que cada um de nós só se sente realizado a ser doutor ou aspirando a sê-lo? A arranjar seja um emprego do Estado? Mas não serão as elites impreparadas que não dão o exemplo, que todo o trabalho é digno, desde que permita ter uma vida social digna e não esbanjadora de recursos e vivendo escravizando os que trabalham.
Senhor Candidato à Câmara, é preciso que o concelho produza o que consome, senão prosseguirá a emigração e ficarão apenas os idosos que vão garantindo, ainda, a freguesia para os cemitérios.
Ponha-se a funcionar o Mercado Municipal e criem-se mercados nas aldeias à volta das igrejas, onde se vendam só produtos produzidos no país. Se assim for, o custo com a alimentação reduzir-se-á pelo menos 40%. Para comprovar esta afirmação, que vá um vereador à Baía (Brasil) e veja como é possível que no supermercado popular que seja 40% mais barato do que nos outros espalhados pela cidade.
A agricultura é a primeira prioridade de um país, pois que no nosso, em quatro anos, podemos produzir até em excesso e já para exportação, salvo, porventura, os cereais.
Sugiro que se constitua uma Associação de Defesa dos Produtores e que, em conjunto com a Associação de Defesa dos Consumidores, trabalhando em harmonia, se possa criar a agricultura que nós todos desejamos, que absorverá grande parte da mão-de-obra disponível, desde que se queira trabalhar e não viver à custa de subsídios e do trabalho de muitos, que já com dificuldade trabalham.

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