Opinião: Ano de caloiro

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Gonçalo Capitão

Francamente, causa-me algum incómodo que, numa terra de liberdade como é Coimbra, esteja a assistir nas redes sociais a um clima de enxovalho e falta de tolerância como o que tenho assistido em torno da Académica. Talvez seja uma declinação do famoso “casa onde não há pão…”.

Concretizando, parece que quem discorda do Presidente Paulo Almeida (que apoiei) é conotado com anti-academismo ou com a gestão anterior, algo que, ademais, esquece todas as coisas positivas, e foram muitas, que devem ser creditadas a José Eduardo Simões.

Pausa para declaração de interesses: participei dos órgãos sociais da Briosa entre 2005 (se me não atraiçoa a memória) e 2010, com muita honra e procurando dar o melhor de mim pela mais constante das paixões da minha vida. Também refiro que dificilmente teria prologado a experiência, por duas razões: por um lado, porque, não acreditando em imprescindíveis, sou a favor do rejuvenescimento, ainda que parcial, dos elencos.

Por outro lado, porque havia uma linha de actuação preponderante com a qual não concordava, sem que com isso esteja a falar do Presidente Simões de quem sempre recebi mostras de cordialidade, e a quem nunca vi nada de censurável (falo literalmente de ver ou saber).

Dito (tudo) isto, espero que não se atrevam a pôr em causa o meu academismo quando digo que há muito a melhorar na Briosa, e que a anterior direcção não pode justificar o que de mau se passar até ao ano 3000.

Comecemos, aliás, por aqui: se há razão pela qual nunca cogitaria uma candidatura presidencial é precisamente a noção que tenho sobre a necessidade que o futebol actual tem de avultados recursos financeiros. Ora eu, desprovido que sou de património significativo, também não tenho na angariação de receitas um dos meus magros talentos. Baralhando e voltando a dar: quem vestiu a pele tem de ser lobo.

Desportivamente falando, invoco a mesma liberdade de expressão: tendo visto partidas como a do passado fim-de-semana (Gil Vicente), em nada diminui o facto de estimar qualquer jogador que equipe com o preto de Coimbra a constatação de que a equipa exibe graves lacunas (pese embora tenha perdido mercê do infortúnio de um dos seus melhores jogadores). Não individualizarei, limitando-me a lamentar que em 2018/19, desgraçada e impiedosamente, Marinho estará um ano “jovem há mais tempo”, frase em que resumo muito do que penso sobre a equipa actual.

Em suma, haverá muito a melhorar na gestão financeira e desportiva, agora que quase passou o ano de caloiro desta Direcção. Mantenho a minha confiança em Paulo Almeida e tenho a esperança de que, ultrapassados os primeiros obstáculos, venham por aí anos de repetidas glórias.

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