Temas fraturantes: É essencial uma candidatura independente e desalinhada em Coimbra

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Há espaço para candidaturas independentes?

Da minha parte gostaria que soubessem que Coimbra precisa de uma mudança radical. Isso significa uma mudança, até geracional, das pessoas responsáveis pelo governo da cidade, que se materialize numa mudança de atitude e na definição muito clara de objetivos, de prioridades e de um plano de ação devidamente calendarizado.

Os alinhamentos têm de resultar de um cenário claro a médio e longo prazo, da agenda desenhada para inverter o rumo da cidade e da região, e não estar centrados em aspetos laterais, como afinidades meramente partidários ou ideológicos. Coimbra não se pode resumir a mais um número da contabilidade eleitoral da noite das eleições.

Coimbra e o seu futuro tem de ser o argumento principal para alinhamentos de vontades e aquilo que preocupa, em exclusividade, quem se propõe a organizar uma equipa e uma estratégia para governar a cidade/região. Por isso é preciso arriscar e mudar tudo.

É preciso perceber que este é um momento de viragem que exige pessoas competentes, reconhecidas, capazes de transformar, centradas no serviço público, descomprometidas e que possam ser o impulso decisivo de um novo ciclo. Não perceber isso, ficar agarrado a comissões de nomes – sempre os mesmos e que saltam, eleição após eleição, de candidato em candidato sem nunca reconhecerem que falharam na avaliação de quem já apoiaram, nomeadamente na respetiva capacidade de colocar Coimbra primeiro -, misturar a sua circunstância pessoal com o interesse de todos, é não perceber a realidade.

Impressiona-me que um sítio como Coimbra que tem todas as condições para liderar, pela iniciativa, pelo exemplo, pela atitude e pela capacidade de realização, insista, ano após ano, nos mesmos erros, nas mesmas abordagens e nas mesmas “soluções”. Desejo com sinceridade que todos se apercebam disso e decidam querer saber, querer participar e querer mudar.

Na minha opinião, uma candidatura ganhadora tem gente competente, de um alargado espetro político, que se apresenta para serviço público pela 1ª vez. Uma candidatura ganhadora não precisa de comissões de honra, nem de comissões de apoio, nem de programas de agência de comunicação.

O eleitorado está farto disso e quer ver gente séria, de fato macaco, competente, disposta a dar uma parte do seu tempo para resolver os problemas da cidade/região. Esta é uma atitude que só é possível vindo de fora dos partidos. Não me interpretem mal, nada tenho contra os partidos, mas estou convencido que uma mudança deste tipo, com esta amplitude, exige, de facto, um grau de rutura que os partidos são incapazes de promover.

Em Coimbra, depois de um diagnóstico sério que identifique os problemas e as necessidades, é necessário focar em 3 vetores essenciais:

1.Liderança e Independência – A liderança da câmara tem de ser feita em total liberdade, com total independência, pois muitas das decisões a tomar colocarão muitas vezes decerto à prova essa independência e liberdade;

2. Definição dos pilares estratégicos em que deve assentar o futuro da cidade – Coimbra, como cidade líder de uma região, tem de se constituir como polo agregador de uma atitude de cooperação intermunicipal que reforce o papel da região de Coimbra e da região centro ao nível nacional. Isso significa uma aposta forte e decisiva na cultura e no concomitante conhecimento, como fatores essenciais de atração de investimento, de atividade cultural e empresarial e de pessoas, incluindo jovens.

Mas também, a definição de uma estratégia económica e industrial que apoie o empreendedorismo local, mas seja igualmente capaz de atrair investimento produtivo e potenciador de emprego, tirando partido das excelentes mais-valias de que a cidade dispõe. Uma estratégia que tire partido do iParque e dos outros locais de localização empresarial e seja capaz de atrair empresas de elevado potencial para o meio urbano.

Significa também uma cidade organizada, preparada, arrumada, onde as opções urbanísticas são fator essencial de distinção para abraçar o novo milénio, recebendo e instalando pessoas e empresas, empenhadas em dinamizar a atividade económica e cultural da cidade, fatores essenciais ao futuro da cidade e da região. Uma cidade que presta atenção e organiza um sistema de educação público bem cuidado e bem organizado, porque isso é essencial para o apoio à família e um sinal muito claro de preparação e interesse, ainda por cima numa cidade que tem vindo a reivindicar o estatuto de cidade do conhecimento.

Uma cidade que percebe que tem de articular e coordenar, de forma bem mais eficaz e produtiva, áreas estratégicas essenciais, como, por exemplo, a saúde e a universidade, mas também a atividade empreendedora e de formação de negócios. Uma cidade que percebe que tem de resolver com urgência os seus problemas de acessibilidades no perímetro urbano, no âmbito das interregiões e de ligação ao mundo (estação de comboio da cidade, metro de superfície da linha da lousã, ligações aeroportuárias, etc.).

Uma cidade que tem de ter uma política bem definida para a sua baixa, e para o comércio em geral, desenvolvendo uma estratégia para revitalizar a parte comercial e monumental da baixa centrada no comercio tradicional, de proximidade, nos serviços, na oferta de restauração (tapas e gastronomia regional), entre outros, num espaço que se estende até ao rio e tem locais de atividade cultural (música, teatro, galerias, etc.), mas também em atividades para as famílias, tudo numa lógica vocacionada para criar uma nova centralidade;

3. Definição da vocação realizadora da cidade – Coimbra tem de ser entendido com um local de oportunidades, vibrante, atraente, onde a ligação do conhecimento à prática é muito eficaz. Coimbra não deve ser a cidade do conhecimento, mas sim, definitivamente, a cidade do conhecimento aplicado. Deve ser uma cidade onde tudo se organiza para tirar partido do que se faz de novo, do que se melhora, do que se gera, em termos de investigação e desenvolvimento, em todas as áreas, criando condições para gerar atividade económica e com isso emprego. A cidade tem de ter essa vocação, é essa a mais-valia da universidade, e tem condições para ser um exemplo de atitude, de realização e de resultados.

O que está em causa, o que é decisivo, é a cidadania e uma liderança suficientemente independente e livre que seja capaz de gerar um discurso mobilizador, desprovido de arrogância e aberto à colaboração produtiva de todos, que coloque o foco em projetos realistas e aglutinadores, e que fomente o envolvimento pessoal e firme de cada um de nós no futuro da comunidade.

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