Opinião: Perplexidades

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Norberto Pires

Coimbra: nas próximas eleições autárquicas pode bater-se o recorde de candidaturas independentes. Isso será sempre muito bom para a cidade/região, seja qual for o resultado final e um forte aviso aos partidos e à sua incapacidade de mobilizar aqueles que têm potencialidades para apelar à participação dos melhores em cada área, seja qual for a orientação ideológica.

Reafirmo aquilo que considero essencial e que tem potencial agregador e transformador da realidade da cidade e região: um projeto baseado em ideias para o futuro, que identifique os problemas da cidade e com realismo apresente uma estratégia de médio e longo prazo para mudar a sina da cidade. Tudo isso precisa de liderança e de uma equipa que reúna os melhores em cada área, seja lá qual for a sua orientação ideológica, empenhada em devolver à cidade e região uma dinâmica geradora de atividade, atratividade e emprego.

Revolução Industrial: anda meio mundo a falar em INDÚSTRIA 4.0, muitas vezes sem grande esclarecimento, sem saber o que significa, por que razão é importante aquilo que traz de novo, mas que é uma evolução do cenário atual na indústria e não uma revolução industrial.

Essa revolução acontecerá com um cenário cognitivo, isto é, acontecerá quando tivermos máquinas e sistemas com capacidades cognitivas: Cognitive Factory Scenario. E essa revolução que se avizinha exige ponderação muito cuidada, pois as consequências serão muito sérias na forma como vivemos e trabalhamos.

Offshores/vergonhas: 1 ) Assunção Cristas disse que Paulo Núncio teve uma atitude de grande caráter, depois de, numa primeira fase, ter tentado atirar responsabilidades para a AT com a pura mentira do erro informático, e, numa segunda fase, depois de verificar que as mentiras não colavam, ter assumido uma responsabilidade política que, nos termos da lei, não era sua, pois era secretário de estado (executava funções delegadas), mas sim do seu ministro, de quem coordenava a área no Governo e, em ultima análise, do PM.

2 ) Ciente de tudo isto, e da grande missão cumprida em nome do país (veja-se a lista VIP, o simulador de sobretaxa a ser devolvida, que depois afinal era ZERO, a não publicação das estatísticas de transferências para offshores, o indigno sorteio de automóveis, etc.), Paulo Núncio, para além da responsabilidade política que disse assumir, demite-se de todos os cargos no CDS dizendo que queria “…libertar o partido a que pertenço [CDS-PP] de quaisquer controvérsias ou polémicas nesta matéria…”.

Então qual é o desconforto para o CDS e para o anterior Governo? Não gostam de pessoas de grande caráter que prestam grandes serviços ao país? Ou todos sabem muito bem que o que existe aqui é um caso muito estranho de incompetência, desleixo, negligência, incapacidade para exercer cargos públicos, etc., que exige total esclarecimento e avaliação das verdadeiras responsabilidades políticas? A transparência exige total esclarecimento por parte de Vitor Gaspar, Maria Luís Albuquerque e, eventualmente, de Pedro Passos Coelho.

Estou a falar de responsabilidade política e de uma explicação para a simples pergunta: como é que num período tão difícil, em que se exigiu um brutal esforço aos portugueses, controlando todas as suas movimentações financeiras, o secretário de estado da administração fiscal fica 1 ano e meio com um despacho na gaveta, não publica estatísticas sobre transferências para offshores, e aparentemente não debatia esse assunto (a movimentação de fundos para offshores que, não sendo ilegais, exigem controlo apertado e perceção pública de que são vistas em detalhe) internamente no Governo?

No parlamento, Paulo Núncio acabou por reconhecer que tinha suspendido a publicação das estatísticas sobre offshores por ter “dúvidas” e por considerar que a publicação poderia beneficiar o infrator. Afinal tinha sido um ato consciente. Enfim. É o que temos.

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