Opinião: Ó Bruno, vai tu!

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Gonçalo Capitão

O refinadíssimo presidente do Sporting Clube de Portugal não encontrou melhor forma de comemorar uma vitória retumbante do que um discurso arruaceiro e grosseiro em que escolheu mandar “à outra parte” todos os que não apoiam a agremiação de Alvalade. Cá por mim, enfio a carapuça!

Sou orgulhosamente adepto da Associação Académica de Coimbra, a qual representa muito mais do que um vínculo tribal, proporcionando um modo de ver a vida com o qual me identifico.

É por isso que, em lugar de ir onde me mandou Bruno de Carvalho, fico onde estou e explico as razões pelas quais, hoje em dia, e sem que nada me mova contra um Sporting que respeito, torço pela derrota leonina, até nos treinos.

Em primeiro lugar, o alarve que têm como treinador. Adjectivos como buçal e cretino (momento Manuel Machado) não começam a descrever uma aberração que se instalou no futebol nacional; não basta dominar algumas noções sobre o jogo para que possa descontar-se a ausência de preceitos de convivência social e traços de bom carácter, dando de barato a chocante falta de domínio da língua materna (será mesmo?!), que até o grego Samaris fala com muito maior correcção (o que me faz pensar que Jesus gosta de ser analfabeto, já que com maior facilidade aprenderia…).

Além de jamais lhe perdoar os grunhidos que emitiu sobre a Briosa ao ouvido de Edinho, quando este representava os estudantes, o assassinato do jovem Palhinha, após a derrota com o F.C. Porto, é algo que não me sai da cabeça; este lamento de homem que nunca assumiu a responsabilidade de maus momentos (bem ao invés se apoderando dos bons, chegando a ter o topete de afirmar que ensinou um atleta como Bas Dost a marcar penáltis) ousa cruxificar um miúdo que lançara às feras no Circo Máximo. De igual modo, e por muito que possa ter razão de queixa, repetir que uma distância de dez pontos (agora doze) da liderança se deve à má arbitragem do jogo contra os rivais da Capital atesta bem a índole rasteira de um sujeito que nem percebe as contradições em que cai, tendo a sorte de não ver as mesmas questionadas por jornalistas desportivos que já só querem vender papel; se os jogadores se desmoralizaram, alguém não soube recuperá-los, com agravante de que, alegando erro do árbitro, a tarefa nem era difícil.

Todavia, é evidente que esta miséria não seria possível se não houvesse apoio superior. Bruno de Carvalho integrou uma claque (algo que nada tem de mal) e não percebeu que as tarefas directivas são diferentes, não sendo possível cumpri-las com cânticos ou atoardas dirigidas aos rivais. Tal comportamento – a lembrar o caput scholae Vale e Azevedo –, apimentado pela entrada na nefasta guerra de contratar atletas dos adversários (quem é superior não desce aos níveis que censura), coloca o prestigiado Sporting num rumo de descrédito enquanto instituição, por muito que, um dia, ganhe uma competição.

Sou dos que acredita que para se ser bom profissional tem de se ser bom cidadão.

2 Comments

  1. Poortugues says:

    Creio que a carapuça lhe cabe que nem uma luva. Não sou adepto do SCP mas compreendo a expressão usada e este texto o comprova.

    Se as eleições eram do SCP porque motivo toda a imprensa tentou levar um candidato ao colo? Foi para todos esses que Bruno de Carvalho falou. E "bardamerda" é diferente de "mandar à merda" como se pode ver no dicionário (sim, ambas as palavras existem no dicionário) apesar de uma ser originária da outra.

    Ainda para mais, com a desculpa de Bruno de Carvalho, acaba por ser um texto a criticar Jorge Jesus e não Bruno de Carvalho.

    E, se é adepto da briosa, porque se importa tanto com o Sporting?

  2. Sócio AAC says:

    Completamente de acordo, Gonçalo !

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