Opinião: O maior desafio do nosso tempo

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Hélder Bruno Martins

Chegar a um estabelecimento comercial e ser recebido por um robot ou por um holograma, com simpatia e amabilidade irrepreensíveis, vai ser banal. Tão banal quanto já o é no cinema:

Admirável este mundo novo! Nem sequer temos que dizer o nosso nome, nem de usar carteira para pagar. Vão saber tudo sobre nós. Através da iris (do globo ocular), por exemplo…

“Bom dia, Helder Bruno! Como estás? A Maria e o Dinis, estão bem? A Sofia? Já agora, não te esqueças de levar pão. E faz backup dos teus terminais. E então, desejas o habitual?… Pois, mas não deves… cuidado com o estômago. E, pelo que vejo, outros indicadores apresentam sinais de preocupação e alerta… Sugiro água alcalina e uma ampola de fibras. Está pago. Vais receber a fatura no teu e-mail e no teu portal das finanças. Obrigado!”

A robotização da sociedade tem reduzido drasticamente o número de empregos em todo o mundo e está a colocar em causa o nosso modelo socio-económico. Podemos ignorar o assunto mas quanto mais adiarmos a reflexão maior será o flagelo social e económico.

Para alguns, trata-se de um problema civilizacional uma vez que será necessário “encontrar um novo sentido para a vida”… Eis o cerne da questão: uma sociedade que necessita de reencontrar um sentido para a vida porque não tem trabalho para poder auferir um rendimento e, assim, poder viver e ser feliz. Não foi sempre assim. Nem tem de ser assim.

Na minha opinião, esta é uma das maiores oportunidades da História da Humanidade: para começar, é uma ocasião para libertar as pessoas de ações e tarefas repetitivas que as subestimam e desvalorizam o seu verdadeiro potencial humano. Mas é muito mais do que isso: é a possibilidade de recolocar a pessoa-humana no centro do sistema socio-económico. Cruza-se com este assunto um outro: o Rendimento Básico Incondicional. Sabe-se que a prosperidade é fruto da criatividade. Sabemos que a criatividade, o sonho, a imaginação, são fruto da disponibilidade. A disponibilidade resulta do conforto e da segurança – asseguradas que estejam as questões mais básicas da sobrevivência (alimentação, saúde, educação, cultura). Da disponibilidade – do “tempo livre e sem preocupações” – emerge a criatividade e esta não decorre de fatores exógenos, mas, sim, da necessidade endógena de realização pessoal.

A maioria das descobertas promotoras de prosperidade e progresso não foi motivada pelo dinheiro. Basta olhar para a História.

Será necessário um período de transição: as máquinas terão que pagar impostos para assegurar as respostas sociais básicas: a saúde, a educação, o rendimento básico incondicional. Suponho que uma das maiores transformações será a redução do consumo e, consequentemente, da poluição, da exploração, das relações patológicas intrínsecas à necessidade de Poder (económico e financeiro) que o sistema atual fomenta.

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