Opinião: Eutanásia

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Serpa Oliva

Por motivo de discussão na Assembleia da República, de uma petição assinada por uns milhares de portugueses, no sentido de vir a ser legislada a Eutanásia, tal facto passou a ser tema de conversa, e fez com que dezenas de artigos de prós e contras fossem escritos nos nossos media.
Como médico poderei, devido ao juramento que fiz quando assumi a minha profissão, estar limitado na minha atitude.
Independentemente disso, tenho o direito como todos, a assumir a minha posição.
Eutanásia, é uma palavra de origem grega, que traduzida será “boa morte”, e que no fundo se trata da prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.
Distanásia é exatamente o oposto, defendendo esta que devem ser utilizadas todas as possibilidades para prolongar a vida de um ser humano, mesmo que a cura não seja uma possibilidade e o sofrimento se torne demasiadamente penoso.
Para já, deixar bem claro que atualmente a distanásia não é praticada em qualquer das Unidades de Saúde pois há muito tempo se assumiu que tal situação não é compatível com a legis arte da medicina atual.
O que se torna portanto motivo de discussão é, até que ponto e até onde, devemos prolongar a vida de um doente perante uma situação de doença sem retorno.
Segundo o Papa Francisco, “toda a vida é sagrada” propondo como alternativa “uma cultura de vida”.
Aquilo que para nós faz toda a diferença reside no facto de todos termos direito a uma assistência médica e medicamentosa, até ao momento em que a mesma se torna apenas uma questão de “teimosia” por parte dos clínicos que assistem o doente.
A Vida como bem supremo tem que obrigar a “construir uma sociedade acolhedora e digna para cada pessoa”. No fundo, entendo que é exatamente esse o nosso papel e a eutanásia deixa de fazer sentido quando os cuidados paliativos puderem ser de acesso fácil a todos aqueles que deles necessitam.
Há, já em Portugal, médicos e centros em que o respeito pela vida humana, longe da distanásia, procura por todos os meios ao alcance que se tenha acesso a uma morte digna, o que nada tem a ver com a forma deliberada e consciente de terminar a vida humana, de forma abrupta, mesmo que a mesma seja vontade do doente.
Nós porque somos seres sociáveis, jamais poderemos ser donos do momento em que queremos morrer.
Fala-se muitas vezes que a dor a isso pode obrigar, quando atualmente a mesma pode ser debelada, bem como a maioria de tudo aquilo que alguns chamam de “sofrimento insuportável”.
Tivemos esta semana a extraordinária notícia de que temos o 14.º melhor SNS do Mundo e isso deve-nos levar no mais curto espaço de tempo a criar condições para que todos, de forma efetiva, possam morrer de forma o mais tranquila possível, sem necessidade de a ela pôr cobro, seja porque motivo for.
Cito por último, Madre Teresa de Calcutá “A Vida é beleza, admira-a; a Vida é vida, defende-a.”.

One Comment

  1. Concerteza o Sr. Doutor tem a liberdade para decidir o que melhor convier às suas CRENÇAS RELIGIOSAS. Ainda que não esteja de acordo com factos científicos ou com valores éticos, talvez para si de compreensão difícil, como a LIBERDADE DE ESCOLHA. Valores estes, os CIENTÍFICOS e os ÉTICOS que parecem ser tantas vezes estrangeiros aos que praticam a medicina.
    Acaso o Sr. Doutor quando alude ao juramento que fez quando assumiu a sua profissão, tem na sua visão os milhares de doentes que neste país não têm sequer acesso aos cuidados básicos de saúde porque os serviços públicos de saúde não lhes garantem um mísero médico de família para lhes assegurar as prescrições ou as referenciações para cuidados de saúdes mais específicos? Acaso a legis arte da medicina atual, melhor, dos médicos e médicas actuais toma em consideração os milhares que esperam nas linhas dos hospitais públicos para uma intervenção que lhes evitaria o agravamento da condição clínica e em muitos casos, que a morte lhes sobreviesse?! A legis arte da medicina anda demasiado ocupada em GANHAR DINHEIRO E ESTATUTO, Sr. Doutor da Medicina.
    E já que oferece tantos doutos exemplos da exemplar igreja católica apostólica romana, saiba que alguns PAPAS (como o Papinha João Paulo II, e algumas MADRES (como a Madre Teresa de Calcutá) foram responsáveis indirectos pela morte de milhares de seres humanos, ao endoutrinarem o não uso do preservativo, que como sabe, é indispensável para a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Fraca a fonte da sua inspiração e fraca a sua legis quando a ela se segue tão triste actio inter vivos.

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