Opinião: Os figueirenses gostavam de Soares

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Rui Curado Silva

Independentemente de gostarmos ou não ou de criticarmos mais ou menos o percurso político de Mário Soares, há que reconhecer que o ex-presidente gozava de uma popularidade impressionante na Figueira, como neste espaço descreveu a Isabel Maranha Cardoso.

Na altura criança, recordo-me do gigantismo de um comício – hoje impensável – com Mário Soares e da variedade de extratos sociais presentes. Soares mobilizava como ninguém o povo figueirense.

Nunca votei Soares, mas em 1986 desfilei juntamente com muitos figueirenses de esquerda após a vitória na segunda volta contra Freitas de Amaral, gritávamos “Soares é fixe” e empunhávamos uma bandeira da APU, o que nos valeu alguns mimos do alto de varandas mais maldispostas.

Ainda não tínhamos idade para votar, mas se tivéssemos, não teríamos engolido sapos. Ingerimos sim mau vinho acompanhado de maçãs verdes na garagem do Rui Torres enquanto acompanhávamos a noite eleitoral numa televisão a preto e branco.

Mais tarde, após uma conferência junto ao Departamento de Física da Universidade de Coimbra, o presidente Soares aproximou-se do nosso grupo, dirigiu-se às colegas e exclamou: “olha, que caras tão bonitas”, depois dirigiu-se a todos e continuou: “vocês estudam aquelas coisas complicadas como a física atómica” e foi metendo conversa revelando a sua natureza descontraída e bem disposta extensamente descrita nos últimos dias.

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